Coimbra  16 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Responsáveis do Impacto Club julgadas por exploração sexual

13 de Maio 2019

Duas arguidas responsáveis por uma ‘boîte’ em Coimbra começam a ser julgadas, quarta-feira, num processo em que são acusadas de explorar sexualmente várias mulheres, com as quais terão tido ganhos superiores a 700 000 euros.

Comete o crime de lenocínio quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício de prostituição por parte de outra pessoa.

Para além das duas rés, são também arguidos a empresa constituída para gerir o estabelecimento e dois empresários da zona de Lisboa acusados de angariar mulheres.

O Ministério Público (MP) requer que seja declarado perdido a favor do Estado o montante de 735 000 euros, acreditando ter sido essa quantia que os arguidos angariaram com a exploração sexual de mulheres entre 2007 e 2014, a maioria estrangeiras e em situação ilegal no país.

Ex-sócia de “Madame Filipa”

Segundo o MP, uma das arguidas, Adriana Aparecida Miguel (luso-brasileira), vivia, “há muito, à custa do ganho das prostitutas”, tendo explorado no final da década de 90 [do anterior século] e no princípio do século XXI a residencial “Camélias Club” (Mealhada), juntamente com outra mulher, conhecida por ‘Madame Filipa’ (Élia Lhorente, falecida em 2014).

A principal arguida, com a alegada cumplicidade de uma sobrinha, prosseguiu o seu intento de continuar a actividade, tendo criado, em 2007, uma nova casa de alterne e prostituição, na zona de Monte Formoso (Coimbra), denominada “Impacto Club”.

Em 2011, Adriana Miguel terá regressado ao “Camélias Club”, visto que a antiga proprietária ficou doente, gerindo, ao mesmo tempo, o “Impacto Club”, a avaliar pela acusação.

O Ministério Público relata que trabalhavam nunca menos de 15 a 20 mulheres por noite no “Impacto Club”, sendo que “acediam ao relacionamento sexual se a proposta partisse do cliente”.

Quando um cliente estava interessado, antes de se dirigir para o ‘privado’, era conduzido até à caixa, onde pagava o seu cartão de consumo e o da mulher que o acompanhava, acrescido do valor de 30 a 40 euros por 30 minutos, sendo que o valor poderia ascender até um montante de 150 a 200 euros, dependendo do serviço.

“Cada relação sexual era anotada no cartão de consumo de cada mulher através da aposição de um ‘X’”, explica o MP, citado pela Agência Lusa.

Dentro do estabelecimento, as mulheres estavam obrigadas a cumprir um conjunto de normas “bastante apertado”, nomeadamente ter um ganho mínimo por semana de 300 euros.

No processo, o MP contabilizou mais de 20 mulheres presumivelmente exploradas pelas duas arguidas, sendo a maioria de nacionalidade estrangeira, em situação de permanência ilegal e que tinham sido ludibriadas a vir para o país, com a ideia de desempenhar apenas ‘striptease’.

Todos os arguidos no processo, um total de cinco (quatro pessoas e uma empresa), são acusados de um crime de lenocínio agravado.

As duas responsáveis pela empresa são acusadas ainda de um crime de auxílio à imigração ilegal (juntamente com um dos ‘angariadores’ de mulheres) e de um crime de branqueamento de capitais.

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