Coimbra  21 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: “Repúblicas” rejeitam ser tratadas como parque temático

4 de Junho 2019

O Conselho das Repúblicas de Coimbra manifestou, hoje, desagrado pelo “estado precário” da ligação à Universidade, sublinhando que estas casas de alojamento social estudantil não aceitam ser tratadas como um parque temático para turistas.

Em nome de 25 Repúblicas coimbrãs, o Conselho acusa as “instituições públicas e governamentais de desinteresse e falta de apoios”, contestando “a progressiva deterioração dos serviços prestados pelos órgãos administrativos da Universidade”, em especial os Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra (SASUC).

“As Repúblicas são reconhecidas inúmeras vezes pela academia e pelo Município como importantes órgãos de dinamização cultural, social e histórica, inclusive consideradas como património da Unesco por iniciativa da Universidade, mas sem qualquer protecção neste sentido e viabilizando apenas o aproveitamento turístico da nossa cultura estudantil”, denuncia o Conselho, em comunicado.

O órgão máximo das “Repúblicas” coimbrãs sublinha que estas casas de alojamento social estudantil têm travado “lutas constantes” para sobreviver nos moldes de casas comunitárias de portas abertas.

“No último ano vimos duas casas serem forçadas a encerrar a sua dinâmica comunitária e estudantil. A situação actual indica que, desafortunadamente, o número tende a crescer nos próximos tempos”, refere o Conselho.

Os estudantes criticam “a desorganização da Universidade e o seu descaso pelos problemas que as Repúblicas enfrentam”. Garantem, ainda, que a resolução dos problemas tem sido sempre adiada, o que, na sua opinião, “só demonstra a falta de interesse em manter as Repúblicas no seu espírito de comunidade estudantil, autogestão e núcleo de grande crescimento e aprendizagem”.

O Conselho acusa a Universidade de pouco fazer para inverter a situação: “Toda essa omissão por parte da Universidade parece indicar que a mesma tem apenas interesse em manter-nos, bem como aos demais espaços de estudantes e até aos habitantes da Alta de Coimbra, como parte de um parque temático para turistas, no qual a cidade se está a tornar, visto que o reconhecimento das casas como componente da matriz identitária da Universidade não se reflecte num suporte efectivo”.

Os estudantes exigem “uma mudança de atitude” e “uma tomada de acção de melhoria” dos serviços que estão protocolados a favor das “Repúblicas” de Coimbra.

“Exigimos um posicionamento público e vias efectivas para a resolução dos problemas e o combate às ameaças que comprometem a continuidade da nossa existência enquanto colectivos políticos e culturais”, concluem.

O Conselho das Repúblicas é o órgão representativo das 25 “Repúblicas” de Coimbra, entidades tradicionais da cidade, sem fins lucrativos, destinadas a albergar alunos do ensino superior e que se responsabilizam pela gestão de cada unidade.

 

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