Coimbra  28 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Coimbra: Refugiado sírio é expoente na robótica

12 de Fevereiro 2017 Jornal Campeão: Coimbra: Refugiado sírio é expoente na robótica

Mohammad Safeea, refugiado sírio, 29 anos de idade, tirou 20 valores na tese de mestrado em Engenharia Mecânica, na Universidade de Coimbra. Hoje em dia, é incontornável no laboratório de robótica.

Segundo a Agência Lusa, assim que se fala nos 20 valores alcançados com a tese de mestrado, Mohammad começa a rir-se, num jeito meio tímido, e recusa colher os louros. “Foi por causa da ajuda dos meus amigos e do meu professor, que é muito brilhante e deu-me muitas ideias”, comenta.

O jovem saiu da Síria pouco depois de a guerra eclodir no país, em 2011. O sírio, que desde pequeno sempre teve os robôs como uma paixão, esteve dois anos na Argélia e sem possibilidade de prosseguir os estudos. Chegou à Universidade de Coimbra (UC) em 2014, no âmbito da plataforma lançada pelo antigo Presidente da República Jorge Sampaio.

Apesar dos dois anos de interregno nos estudos, conseguiu fazer um “trabalho original que está a ser avaliado numa das melhores revistas da área”, disse à agência noticiosa o orientador de mestrado e de doutoramento, Pedro Neto.

“Vens da Síria e tens de mostrar que trabalhas bem, vens de um país em guerra e, então, tens de construir um futuro”, sublinha o investigador “As pessoas têm outro olhar, não te levam a sério; tens de dar provas, primeiro”, sublinha o refugiado, que fala ora em português ora em inglês.

Na língua de Shakespeare, explica que agora na tese de doutoramento integra um projecto europeu para evitar colisões entre robôs e humanos, em contexto de fábrica.

No laboratório, o refugiado, equipado com sensores, avança contra um braço robótico, que se vai desviando dos movimentos do investigador.

Pedro Neto sublinha que o jovem sírio é, hoje, um “membro bastante importante do laboratório”.

No entanto, não é só Mohammad que está a criar um caminho de sucesso pela Universidade.

Ao todo, a UC conta com oito refugiados, seis dos quais chegaram à instituição através da plataforma promovida por Jorge Sampaio.

Com a excepção de uma estudante, que não conseguiu integrar-se, todos os outros se sentem bem em Portugal, assinala Teresa Baptista, assessora da vice-reitora Clara Almeida Santos.

“Quero ficar aqui para sempre; tenho muitos amigos, amigos especiais, e aqui é como uma segunda família para mim”, diz, em português, o jovem sírio, de sorriso fácil.