Coimbra  26 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra recebe espectáculo sobre Belmonte

14 de Setembro 2020 Jornal Campeão: Coimbra recebe espectáculo sobre Belmonte

No próximo sábado (19), pelas 18h30, a Câmara Municipal de Coimbra vai acolher o espectáculo “Caminho” de Filipa Francisco, no Quartel da Brigada de Intervenção (antigo Convento de Sant’anna).

O acesso ao evento é gratuito, devendo os bilhetes ser reservados através do e-mail reservascaminho@gmail.com.

Esta oitava e última produção da Rede Artéria resulta do convite à coreógrafa Filipa Francisco para criar um espectáculo em Belmonte. “Caminho”, que estreou no passado dia 04 de Setembro, no Castelo daquele lugar, é apresentado como um “espetáculo-encontro” onde se cruzam memórias e narrativas, teatro e música, palavras e máscaras, baile e entrudo, passado e futuro.

“Neste espectáculo, as invocações do passado parecem perplexidades do presente. Entre movimentos que se fundam nas memórias dos salões senhoriais, das minas ou das fábricas, do Entrudo e da folia, procura-se uma interpretação de tradições num tempo em que o presente parece querer fugir para o futuro. No meio de uma pandemia mundial que assusta e afasta, as personagens da peça obrigam-se a questionar o sentido de dançar, de trabalhar, de rir. Este é, essencialmente, um espectáculo de contrastes. Entre a plasticidade da dança e a rigidez dos movimentos mecânicos do trabalho. Entre narrativas e convulsões de emoção. Entre estar enlevado pela serenidade de melodias oníricas e ser subitamente despertado com o ribombar das percussões”, lê-se na sinopse elaborado por Nuno Amaral Jerónimo.

Preparado em contexto comunitário (em co-criação com seis participantes locais), “CAMINHO” foi construído a partir das biografias e das narrativas da população do concelho de Belmonte. E Filipa Francisco relata essas visitas às freguesias e as entrevistas aos moradores, antes da pandemia do novo coronavírus: “Palavras e palavras gravadas em vídeo e transcritas para o papel. Todas elas misturavam e falavam de passado, presente e futuro.

Transcrevemos as palavras no papel, olhámos para essas palavras. Todas elas falavam de momentos de trabalho árduo, das minas, da agricultura, das fábricas ou da cestaria.” Depois, com a covid-19, o projecto teve de ser readaptado. Mas, como sustenta a autora, há que “fazer nascer deste baile, fazer nascer deste entrudo” o “Caminho” para um outro rumo – e, talvez, um melhor futuro.

Para além de Filipa Francisco (concepção, direcção artística e interpretaçāo), fazem parte da ficha criativa Tiago Pereira (música e interpretaçāo), Carlota Lagido (figurinos), Miguel Canaverde (vídeo), Matthieu Réau (cenografia, assistência direcção artística e direcçāo técnica), Bruno Simāo (fotografias) e a co-criaçāo de António Almeida, Beatriz Marques Dias, Bruno Alexandre, Edgar Costa, Joana Carvalho, Luísa Batista, Verónica Calheiros e Verónica Gonzálezz.