Coimbra  22 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Protesto exige mais apoio e “verdadeira política” cultural

5 de Abril 2018

A concentração de agentes culturais, amanhã (sexta-feira), em Coimbra, é para contestar os valores atribuídos às artes, mas sobretudo visa exigir “uma verdadeira política cultural para o país”, afirmam os promotores do protesto.

Em causa estão o montante para o Programa de Apoio Sustentado da Direcção-Geral das Artes (DGArtes), que consideram insuficiente, e o respectivo modelo de avaliação, que querem ver revisto, mas, mais importante ainda é que, em Portugal, “se olhe de uma vez por todas para a cultura”, sustentaram hoje, durante um conferência de Imprensa, os organizadores da concentração que, à semelhança do que sucederá noutras cidades do país, terá lugar amanhã, em Coimbra.

A cultura deve ser encarada como um serviço público, que disponha de pelo menos um por cento do Orçamento do Estado (contra os actuais 0,2 por cento), como, de resto, está previsto no programa do Governo, defendem os promotores da concentração e representantes de diferentes entidades culturais de Coimbra, presentes no encontro com os jornalistas.

O fim da precariedade, que domina grande parte das estruturas culturais, é outras das exigências dos agentes culturais de Coimbra, que também não se conformam com o actual modelo de avaliação do programa de apoio às artes, reivindicando a sua revisão.

A concentração em Coimbra, às 18h00, junto à Direcção Regional de Cultura do Centro, na “Baixa” da cidade, é organizada pelo Núcleo de Coimbra do Manifesto em Defesa da Cultura e pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Espectáculos, do Audiovisual e do Músicos (CENA-STE) e conta com adesão das 13 entidades da cidade que participaram, na terça-feira, numa reunião preparatória deste protesto, que contou com a presença de cerca de seis dezenas de pessoas.

Nessa reunião participaram representantes de estruturas que foram excluídas do apoio da DGArtes, mas também organismos que foram apoiados, como a Casa da Esquina e a companhia Marionet, ou que não se candidataram (designadamente amadoras, por não serem abrangidas pelo programa), referiu Alfredo Campos, do Manifesto em Defesa da Cultura, destacando a “unidade” e a “mobilização” dos diversos agentes de Coimbra em torno deste protesto e reivindicações.

“O anúncio, hoje, do primeiro-ministro, António Costa, do reforço com 2,2 milhões de euros o apoio às artes, elevando-o para 19,2 milhões de euros, continua a não corresponder à exigência de que seja reposto o montante de 2009 actualizado, com a inflação, que equivale a 25 milhões de euros”, sublinharam.

Além do Manifesto, intervieram na conferência de imprensa representantes designadamente do CENA-STE, das companhias de teatro A Escola da Noite e Teatrão, e do Conservatório de Música de Coimbra.

Os concursos do Programa Sustentado da DGArtes, para os anos de 2018-2021, partiram com um montante global de 64,5 milhões de euros, em Outubro, subiram aos 72,5 milhões, no início desta semana, perante a contestação no sector, e o secretário de Estado da Cultura já tinha admitido, na terça-feira, em conferência de Imprensa, a possibilidade de essa verba vir a ser reforçada, já este ano, numa articulação entre o Ministério da Cultura e o gabinete do primeiro-ministro.

Para 2018, o Programa de Apoio Sustentado tinha previsto inicialmente um montante de 15 milhões de euros, que agora ascende a 19,2 milhões com os dois reforços dos últimos dias.

O Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021 envolve seis áreas artísticas – circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e teatro – tendo sido admitidas a concurso, este ano, 242 das 250 candidaturas apresentadas. Os resultados provisórios apontam para a concessão de apoio a 140 companhias e projectos.

 

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