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Coimbra: PISAC sem atar nem desatar

9 de Junho 2017 Jornal Campeão: Coimbra: PISAC sem atar nem desatar

Houve necessidade, hoje, em Coimbra, de albergar um cidadão dos Açores, mas ele teve de rumar a Miranda do Corvo, porquanto várias instituições da cidade contactadas pela Cruz Vermelha alegaram impossibilidade.

O homem, que terá sido vítima de um crime, presumivelmente cometido por um empregador, “recorreu, desesperado”, à Delegação de Coimbra da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), disse ao “Campeão” uma voluntária que presta serviço naquele organismo.

O queixoso, trabalhador da construção civil, que sustenta ter sido enganado, demandou a GNR, que o aconselhou a dirigir-se à CVP.

A referida voluntária contactou várias instituições, intervenientes no Projecto de Intervenção com os Sem-abrigo de Coimbra (PISAC), mas nem por isso deixou de haver necessidade de o queixoso ser encaminhado para a Fundação ADFP.

Já de si caricato, o episódio remete para outros contornos se se tiver presente que, há meio ano, foi enjeitada a adesão da Fundação – Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, com sede em Miranda do Corvo, de da Delegação de Coimbra da CVP ao PISAC.

Do Projecto de Intervenção com os Sem-abrigo do Concelho de Coimbra fazem parte uma dúzia de instituições, entre elas a Câmara conimbricense e o Centro Distrital da Segurança Social.

Jaime Ramos, médico, timoneiro da Fundação ADFP, disse ao “Campeão” considerar “surpreendente aquilo que se passou”, na medida em que, alega, “por intervenção da Câmara Municipal de Coimbra”, a instituição por ele liderada foi “impedida de aderir ao PISAC”.

Já em 2017, a ADFP pôs a funcionar em Coimbra a Casa Dignidade, localizada junto ao Parque Verde, a qual serve semanalmente mais de 65 refeições, verificando-se aumento da procura aos fins-de-semana devido à falta de oferta por parte de outros organismos.

Além de comida, a Casa Dignidade presta cuidados de higiene aos sem-abrigo que deles necessitem.

O objectivo da Fundação com aquele espaço consiste em “contribuir para uma cidade com pessoas em situação de ‘sem-abrigo zero’”, assinala o presidente da ADFP.

A Fundação preconiza “uma cooperação de todas as organizações que apoiam pessoas sem-abrigo”, tomando a iniciativa de oferecer a Casa Dignidade de empréstimo às instituições de Coimbra que queiram usar as instalações para servir refeições, deixando de fazer isso na rua.