Coimbra  18 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Movimento avança com garraiada na Queima das Fitas

15 de Março 2018

O movimento “Coimbra dos Estudantes” vai avançar com uma garraiada em Coimbra, na semana da Queima das Fitas, após os alunos terem decidido, em referendo, acabar com aquela iniciativa dentro da festa académica, disse hoje o seu líder.

À pergunta “Deve o evento garraiada continuar no programa oficial da Queima das Fitas?”, 70,7 por cento dos estudantes da Universidade de Coimbra que participaram no referendo realizado na terça-feira decidiram responder “não”, com o “sim” a colher 26,7 por cento dos 5 638 votos registados.

Em consequência do resultado do referendo, o movimento “Coimbra dos Estudantes”, que lutou pela continuidade da garraiada, vai avançar com a iniciativa, com o apoio de “actuais e antigos estudantes”, disse à agência Lusa o líder do movimento, Ricardo Marques, aluno de mestrado na Coimbra Business School e antigo estudante da Escola Superior Agrária de Coimbra.

“Os moldes ainda estão a ser definidos”, referiu, adiantando que estão em cima da mesa duas opções: a realização da garraiada na praça de touros da Figueira da Foz, ou na cidade de Coimbra.

A garraiada a ser realizada vai decorrer “durante a semana da Queima das Fitas”, assegurou, sublinhando que vai ser financiada através da “boa vontade dos estudantes e antigos alunos”.

“Não vamos ter apoio da Prótoiro [Federação Portuguesa de Tauromaquia]. É uma coisa dos estudantes e para os estudantes. A Prótoiro pode estar ao nosso lado, mas queremos que se mantenha este segmento, com estudantes e antigos estudantes a organizar” – frisou.

Ricardo Marques sublinhou que o que estava em causa no referendo era a continuidade da garraiada no programa oficial da Queima das Fitas, sendo que há “total liberdade para se dar uma garraiada a todos os que se revêem na mesma”.

Já o porta-voz da Prótoiro, Helder Milheiro, salienta que a federação já se disponibilizou para apoiar a realização da garraiada em Coimbra.

“Os resultados são o que são. Perante isso, se a garraiada não se realiza de uma certa forma, felizmente, o movimento local vai avançar com a garraiada noutra circunstância”, afirmou à agência Lusa Helder Milheiro, alegando que, apesar de respeitar “o princípio democrático” do referendo, está em causa “o princípio de liberdade e o direito à escolha”.

A afluência às urnas para este referendo acabou por ser significativa, face ao contexto. Houve mais estudantes a votar para este referendo do que para as eleições para a Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra (AAC) em 2016, onde se registaram menos de 5 000 votos.

É isso que o presidente da AAC, Alexandre Amado, sublinha: “Foi uma participação expressiva e um resultado inequívoco. Julgo não existir nenhum acto eleitoral numa associação de estudantes com um número superior de votos em Portugal”.

Para Alexandre Amado, que era a favor do fim daquela prática tauromáquica na Queima das Fitas, a realização de uma garraiada fora do programa oficial não pode ser impedida.

“Ninguém pode impedir ninguém de promover actividades próprias e de organizar as iniciativas que pretender. Agora, a Queima das Fitas não vai ter garraiada”, vincou.

Após o resultado do referendo, o Conselho de Veteranos, que é um dos órgãos tutelares da Queima das Fitas e que rege as actividades tradicionais, terá a palavra final sobre a continuidade da garraiada no programa da festa.

Questionado pela agência Lusa, o ‘dux’ de Coimbra, João Luís Jesus, referiu que vai ser convocada uma reunião de Conselho de Veteranos para a próxima semana em que irá levar “a proposta para acabar com a garraiada” dentro do programa oficial.

 

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