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Coimbra: Morreu Victor Gil, um inovador

1 de Junho 2018

Victor Simões Gil, anterior director do Exploratório de Coimbra – Centro de Ciência Viva e um inovador, será sepultado, sábado (02) à tarde, em Santana, Figueira da Foz.

Catedrático de Química (jubilado), o primeiro reitor da Universidade de Aveiro irá estar, em câmara ardente, a partir das 10h00 de 02 de Junho, na capela da Universidade de Coimbra, onde, pelas 14h30, será celebrada missa.

O extinto foi o investigador galardoado, em 2007, com o Prémio de António Xavier, atribuído, então, pela primeira vez, pelo Grupo Bruker, para recompensar, através de avaliação científica independente, um português (ou uma equipa) que se haja distinguido por contribuição nas áreas de ressonância magnética nuclear, imagem por ressonância magnética ou ressonância paramagnética electrónica.

Antes de ter sido coadjuvado por Helena Caldeira e Celso Gomes no sobredito Centro de Ciência Viva, Victor Manuel Gil criou na Universidade de Coimbra o primeiro laboratório de espectroscopia de ressonância magnética nuclear existente em Portugal.

Natural de Santana (Figueira da Foz), Victor Gil, 79 anos de idade, era filho de uma costureira e de um agricultor, mas a origem humilde não o impediu de se distinguir, como aluno e enquanto professor universitário.

O químico doutorou-se, em 1965, pela Universidade de Sheffield (Inglaterra).

Em 1973, na sequência da criação formal da Universidade de Aveiro, o docente foi convidado para timoneiro da Comissão Instaladora da UA e ascendeu ao cargo de primeiro reitor da instituição.

Victor Gil regressou à Universidade de Coimbra (UC) em 1982, sem embargo de continuar a nutrir estreitos laços com a Universidade aveirense, a cujo Conselho de Ética e Deontologia presidiu.

Aposentado da docência na UC, há década e meia, o catedrático definia-se como “polinómio de múltiplas variáveis” enquanto “o balanço não se torna identicamente nulo”, desde que deixou de liderar o Exploratório de Coimbra, em 2015, e dedicou-se à criação artística. Interveio no Coro de Santa Isabel e na I Exposição de Artes Plásticas realizada na UA.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Química (SPQ), durante décadas de actividade, nas universidades de Coimbra e Aveiro e nas (inglesas) de Sheffield e de Sussex, Victor Gil publicou e co-publicou mais de uma centena de artigos de investigação sobre ressonância magnética nuclear nas suas relações com a estrutura das moléculas e nas suas aplicações em Química orgânica e Química inorgânica.

O extinto também é co-autor de uma obra de referência em língua portuguesa sobre ressonância magnética nuclear, publicada pela Fundação de Calouste Gulbenkian.
De acordo com a SPQ, educação em ciência constituiu sempre um dos centros de interesse de Victor Gil, estendendo-se à docência ao nível dos ensinos Básico e Secundário.

 

 

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