Coimbra  13 de Junho de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Coimbra: Maternidades em risco de perder urgência, adverte OM

15 de Dezembro 2016 Jornal Campeão: Coimbra: Maternidades em risco de perder urgência, adverte OM

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos alertou, hoje, para o risco de fecho da urgência nas maternidades de Coimbra devido a falta de especialistas em ginecologia e obstetrícia.

“Não são contratados médicos especialistas para a Maternidade de Bissaya Barreto, desde 2010”, adverte Carlos Cortes, presidente da SRCOM.

Segundo ele, está a ser posta “em risco a existência de serviços com uma qualidade assistencial reconhecida”.

Face à escassez de recursos humanos, caso não se proceda à urgente contratação de especialistas, “poderá ficar inviabilizada a elaboração de uma escala de urgência com o número de médicos indispensáveis” à luz das normas do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da OM, acentua o médico.

“A situação é muito grave; não podemos comparar a realidade destas maternidades com o que se passa em qualquer dos outros hospitais universitários portugueses”, acrescenta.

O cálculo do número de médicos não poderá, neste caso, reportar apenas o número de partos e a população de referência, opina o presidente da SRCOM.

Segundo Carlos Cortes, “dado o número elevado de médicos especialistas saídos, nos últimos anos, há risco de ser posta em xeque a actividade assistencial (consultas e cirurgias) dos serviços de Ginecologia A e B do CHUC”.

Para piorar ainda mais esta realidade, a maioria dos recursos humanos médicos dos serviços de Obstetrícia e Ginecologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra tem idade superior a 50 anos, sendo até elevada a proporção dos que têm mais de 55 anos.

Para além dos partos no CHUC (segundo dados de 2013, foram realizados 4 823 nas duas maternidades), os serviços de Ginecologia A e B diagnosticaram, em 2015, 332 novos casos de cancro de mama, 64 novos casos de cancro do endométrio, 27 novos casos de cancro do colo do útero, para além dos novos casos de cancro de ovário (28), cancro da vulva (16) e cancro do sarcoma uterino (2).

Acresce que a fusão dos dois hospitais de Coimbra, ocorrida em 2011, não se concretizou nesta área, assinala a SRCOM.