Coimbra  21 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Mais de 300 pessoas na Praça da República em defesa do Hospital dos Covões

18 de Junho 2020 Jornal Campeão: Coimbra: Mais de 300 pessoas na Praça da República em defesa do Hospital dos Covões

Mais de 300 pessoas, entre utentes e profissionais de saúde, concentraram-se, hoje, na Praça da República, em Coimbra, em defesa do Hospital dos Covões.

A concentração, promovida pelo Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), contou com uma tribuna pública, onde falaram utentes, movimentos, delegados sindicais, profissionais de saúde, cidadãos, expressando todos preocupação com o futuro do Hospital dos Covões, unidade que faz parte do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

“Senhor Regateiro [presidente do Conselho de Administração dos CHUC], o que é uma questão técnica?”, perguntava Augusto Figueiredo, utente dos Covões, num cartaz que empunhava durante a concentração, aludindo às justificações dadas pelo CHUC para a passagem das Urgências para o nível básico naquele hospital.

Com 86 anos, decidiu estar presente na acção de protesto por considerar que aquele hospital “faz muita falta a Coimbra”, vincando que “não pode fechar”. “É uma luta de todos”, frisou.

Falando da tribuna instalada na Praça da República, outra utente dos Covões – que vai lá “muitas vezes com a vida nas mãos” – salientou que o hospital tem e teve “grandes médicos”, mas notou que se estão “a evaporar do hospital”.

“Não há direito de fechar os Covões. Se o apanho [Fernando Regateiro], ele até galga a janela fora e vai ter ao heliporto”, frisou.

Na manifestação, estiveram também vários profissionais de saúde do hospital, vestindo t-shirts pretas.

Cristina Varandas, assistente social há mais de 30 anos nos Covões, frisa que profissionais e utentes estão preocupados com a actual situação. “É uma falta de respeito pelos utentes, quererem fazer uma aglomeração de tudo nos HUC [Hospitais da Universidade de Coimbra]. Isso não faz sentido” – realçou, considerando que, quer os profissionais, quer os utentes deviam ser ouvidos no processo.

Também Luís Dias, técnico de radiologia no hospital, frisou que estava presente na concentração mais “como utente do que como profissional”.

“Este é um hospital que não serve apenas Coimbra, mas a população a sul do distrito e a norte de Leiria”, realçou, recordando que o processo de “desmantelamento” do hospital é antigo, ao mesmo tempo que se veem “clínicas e hospitais privados a crescer como cogumelos”.

Apesar de acreditar que o movimento dos cidadãos possa ter algum efeito, acredita que os interesses pesam mais do que “as necessidades da população”.

O antigo presidente do Conselho de Administração do Hospital dos Covões, Rui Pato, também esteve presente na acção, frisando que lhe dá “ânimo e orgulho” ver “a cidade, pela primeira vez, a virar-se para a margem esquerda”.

“Querem destruir uma coisa que foi construída com tanto carinho. O [Fernando] Regateiro e a Rosa Reis Marques [presidente da Administração Regional de Saúde do Centro] são técnicos de profundidade”, afirmou Carlos Santos, de 71 anos, utente dos Covões, que vinca que participa em todas as manifestações que pode em defesa do seu hospital.

Entretanto, o PSD anunciou, hoje, que o deputado Maló de Abreu foi indicado à Comissão de Saúde como deputado relator da Petição n.º 89/XIV/1.ª, cujo assunto trata de “Devolver a autonomia ao Hospital dos Covões (Centro Hospitalar de Coimbra) – Pelo direito ao acesso a cuidados de saúde de qualidade”.

Esta petição deu entrada na Assembleia da República no dia 01 de Junho e é subscrita por 4 493 peticionários.