Coimbra  25 de Maio de 2022 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra levanta dúvidas sobre independência do júri da Capital da Cultura 2027

18 de Abril 2022 Jornal Campeão: Coimbra levanta dúvidas sobre independência do júri da Capital da Cultura 2027

O presidente da Câmara de Coimbra levantou dúvidas sobre a independência das escolhas feitas pelo júri na primeira fase de selecção da Capital Europeia da Cultura 2027, em que o concelho foi eliminado.

“Deveria ser um júri exclusivamente nomeado por Bruxelas sem nenhuma nomeação, eventualmente de caráter político. A intromissão do Governo português permite-nos uma especulação legítima relativamente à independência das pessoas nomeadas pelo nosso Governo”, afirmou o presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva, que abordou a matéria na reunião desta segunda-feira do Executivo, a primeira após a divulgação do relatório que justifica as escolhas do júri na fase de selecção de quatro finalistas para a Capital Europeia da Cultura 2027.

José Manuel Silva recordou que a anterior ministra da Cultura, Graça Fonseca, aquando do anúncio dos quatro candidatos, congratulou-se com o facto de serem de quatro regiões diferentes.

“O critério regional não fazia parte dos critérios da selecção e inquinou o processo. Houve factores externos que condicionaram as escolhas do júri e isso não poderia ter acontecido”, referiu o autarca eleito pela coligação Juntos Somos Coimbra.

Salientando que não quer pôr em causa a seriedade ou qualidade das pessoas nomeadas pelo Governo para o júri, José Manuel Silva salientou que não deveria haver dúvidas sobre a independência do processo.

“As especulações são legítimas e devem levar a uma reflexão sobre a forma como o processo foi conduzido”, disse.

O presidente da Câmara de Coimbra, que tem a pasta da Cultura, rejeitou quase todas as críticas apontadas pelo júri da Capital Europeia da Cultura 2027, defendendo o ‘bid book’ (livro de candidatura) que tinha sido apresentado pelo grupo de trabalho, nomeado pelo anterior Executivo (de maioria PS).

“Talvez o ‘bid book’ tenha sido muito sério, objectivo e muito centrado num projecto cultural e menos retórico”, referiu, considerando o processo de selecção “completamente subjectivo”.

Recusando as críticas, José Manuel Silva realçou que o Município vai transformar o ‘bid book’ rejeitado pelo júri num trajecto que vai orientar “a actividade cultural de Coimbra nos próximos anos”.

Também a vereadora do PS Carina Gomes, que no anterior Executivo assumiu a pasta da Cultura, subscreveu as palavras do presidente da Câmara.

O vereador da CDU, Francisco Queirós, acompanhou a posição, reconhecendo o papel do grupo de trabalho e agradecendo aos muitos agentes que “contribuíram a diversos níveis para esta proposta e esta candidatura”, que foi rejeitada.

O júri da Capital Europeia da Cultura considerou que não havia uma estratégia de longo prazo em acção, que o programa tinha falta de diversidade quanto a géneros e formas de expressão artísticas e mostrou preocupação com a ausência de ‘open calls’ para envio de projectos e propostas, entre outros problemas detectados.

“O painel considerou a candidatura sub-desenvolvida nesta altura da competição e não está convencido que Coimbra 2027 conseguiria levar o programa para o elevado nível artístico e dimensão europeia exigidos para uma Capital Europeia da Cultura”, concluiu.