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Coimbra: Legado de António Variações em colóquio e espectáculo

4 de Dezembro 2017

António Variações vai ser a personagem central de um colóquio na Universidade de Coimbra, onde se vai dissecar as letras, a música e o legado do artista, terminando com um espectáculo no TAGV no dia 08.

No concerto “Sempre Além: Um Espectáculo em Torno de Variações”, sexta-feira, pelas 21h30, no Teatro Académico de Gil Vicente, participam vários artistas de Coimbra como Pedro Chau (The Parkinsons e Ghost Hunt), Victor Torpedo (The Parkinsons e Tédio Boys) ou Carlos Mendes (Tédio Boys e Bunnyranch), assim como Luiz Ribeiro.

Falar da obra de António Variações não se resume a abordar a música do artista que lançou dois álbuns e, por isso mesmo, o colóquio que se realiza nos dias 07 e 08, em Coimbra, intitulado “Variações sobre António”, vai procurar dissecar o universo de um artista que obriga à confluência de diferentes disciplinas no mesmo evento, explanou o responsável pela organização, Osvaldo Silvestre, docente da Faculdade de Letras e confesso fã do músico.

Na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), vai caber um pouco de tudo – da semiótica à sexualidade, passando pela imagem ou pela transição do país entre o Estado Novo e adesão à Europa -, num programa que vai ainda contar com performances e um concerto com músicos de Coimbra em que participa o irmão de António Variações, Luiz Ribeiro.

Nas comunicações a serem apresentadas no colóquio, há uma “cartografia musical” de Variações, uma análise semiótica da obra, uma abordagem sobre o legado de “um precursor de um pop-erudito” e da modernização da tradição. São também abordados os vídeos musicais, as variações identitárias da cultura portuguesa contemporânea, uma comparação entre Variações e Bowie, a construção da personagem e a identidade da ‘persona queer’ do artista.

“Ocorreu-me fazer o colóquio para ver como a Universidade respondia a este desafio de discutir Variações”, sublinhou, à agência Lusa Osvaldo Silvestre. No entanto, sendo a figura em questão António Variações, “um colóquio não seria suficiente” e a organização optou por criar um programa paralelo, com abertura de concurso para propostas de performances em torno do artista.

“Um aspecto estimulante da personagem é que o Variações permite ler o Portugal dos anos 1980 e a transição do Estado Novo para o Portugal da Europa. Apesar de morrer antes de Portugal entrar na Europa, num certo sentido, Variações já estava na Europa”, realçou o docente da FLUC, considerando que, para além dessa transição, há também uma criação artística que mistura “um apelo muito popular” com o pop-rock, que eclodia nessa época em Portugal.

“Variações permite ler muitas coisas sobre a sociedade e a cultura portuguesas”, constatou, considerando que o artista, apesar de deixar muita gente “de boca aberta” quando o via na televisão, acabava por ter um “grande apelo para pessoas muito diferentes”.

“Havia essa estranheza da diferença, mas chegava a pessoas de diferentes contextos”, sublinhou Osvaldo Silvestre, apontando para o exemplo dos seus próprios pais, que também gostavam de Variações.

O colóquio também pretende fazer algo “pouco comum” em Portugal: trazer os artistas para a academia. “A obra de Variações pode ser objecto de trabalho académico e lá fora isso é muito comum”, frisou, referindo que em 2018 vai ser editado um livro que vai reunir as melhores comunicações do colóquio.

Para além das comunicações, no próximo dia 07 (quinta-feira), haverá oito performances, a decorrer ao fim da tarde e à noite, na Sala do Carvão e na Casa das Artes.

O colóquio e as performances têm entrada gratuita, enquanto o bilhete para o concerto custa 10 euros.

António Variações nasceu em 1944 numa pequena aldeia do concelho de Amares, no distrito de Braga, tendo passado por Lisboa, Angola (onde cumpriu serviço militar), Amesterdão e Londres.

Um ano depois da estreia em 1982 com o ‘single’ “Povo que lavas no rio/Estou além”, lançou o seu primeiro LP, “Anjo da Guarda”, e, em 1984, lançaria o seu segundo e último álbum “Dar & Receber”. Variações viria a falecer em Junho desse ano.

 

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