Coimbra  20 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Coimbra: Greve na Saúde afecta vários serviços

2 de Maio 2018 Jornal Campeão: Coimbra: Greve na Saúde afecta vários serviços

A adesão à greve dos trabalhadores do sector público da saúde na região Centro tem sido significativa e, em Coimbra, há vários serviços encerrados, informou o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap).

No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), registaram-se, durante a noite, níveis de adesão de cerca de 70 por cento nos internamentos e de 100 por cento nas urgências e cuidados intensivos, números que se reflectiram no turno da manhã, disse à agência Lusa Ricardo Domingos, membro dos órgãos regionais do Sintap.

“Há serviços encerrados como o secretariado clínico e nas enfermarias há uma média de 70 por cento de adesão, com blocos de cirurgia programada fechados e consultas em que o secretariado está fechado”, sublinhou.

A greve de dois dias, que arrancou hoje, foi convocada pelo Sintap e abrange todos os trabalhadores da saúde, excepto médicos e enfermeiros, dos serviços tutelados pelo Ministério da Saúde, como hospitais ou centros de saúde.

O dirigente sindical é também assistente operacional no serviço de urgência do CHUC, onde está há 16 anos com contrato individual de trabalho, o que significa que são “16 anos sem progressão de carreira”, com uma carga horária superior (40 horas semanais) à dos restantes trabalhadores e sempre a receber o salário mínimo nacional, “como tantos outros com 20 e 30 anos de profissão”.

“De uma vez por todas, temos que marcar a nossa posição e fazer chegar ao Governo que estas injustiças, nomeadamente no sector da saúde, não podem continuar, com uns trabalhadores de primeira e outros trabalhadores de segunda”, criticou.

Para além disso, Ricardo Domingos chamou a atenção para a sobrecarga de trabalho, referindo que no CHUC os assistentes operacionais do serviço de urgência tinham, em média, “11 000 horas que vão ficando em bolsa”, sem uma solução definida.

O coordenador regional do Sintap, Jacinto Santos, afirmou à agência Lusa que os níveis de adesão à greve na região Centro, nomeadamente nos hospitais da Figueira da Foz, Coimbra, Aveiro, Estarreja e Santa Maria da Feira estão “entre os 80 e os 90 por cento”.

A greve exige a aplicação do regime de 35 horas de trabalho semanais para todos os trabalhadores, progressões na carreira e o pagamento de horas extraordinárias vencidas e não liquidadas.

No dia 25 deste mês, trabalhadores do sector da saúde voltam a cumprir um dia de greve, uma paralisação marcada pelos sindicatos afectos à CGTP.

Já na próxima semana são os sindicatos médicos que têm uma greve de três dias agendada, para os dias 08, 09 e 10.