Coimbra  29 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Gravação substitui cânticos da Semana Santa em Arzila

8 de Abril 2020 Jornal Campeão: Coimbra: Gravação substitui cânticos da Semana Santa em Arzila

O Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila, em Coimbra, vai apresentar amanhã (quinta-feira) os “Martírios do Senhor”, com recurso a um sistema de amplificação sonora, por não poder repor ao vivo esta tradição religiosa da Semana Santa.

A partir das 21h00, “serão difundidos os cantares dos martírios, permitindo que, desta forma, se reviva a memória da tradição”, disse à agência Lusa o presidente da associação, António José Gabriel, explicando que esta alternativa avançou no contexto das restrições impostas pela pandemia da covid-19.

“Devido aos problemas de contenção e isolamento social, não foi possível a realização ao vivo do cantar dos martírios”, afirmou.

Maioritariamente membros do Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila, os habituais protagonistas da representação “levaram a efeito um trabalho de gravação destes cantares”, segundo o dirigente.

Entretanto, além do registo sonoro que vai ser difundido na localidade, nos arredores de Coimbra, será divulgado nas redes sociais um vídeo alusivo àquela tradição popular, disse o músico Arménio Santa, que integra a equipa técnica responsável pelas gravações, recolha de imagens e produção, em que também colaboraram João Miguel Girão e João de Carvalho Ferro.

“Com origem perdida nos tempos, em quinta e sexta-feira santas, sempre se cantaram os ‘Martírios do Senhor’, prática de expressão da religiosidade popular que dois grupos de homens, pelas nove horas da noite, foram mantendo ao longo dos anos”, segundo a organização.

Nas quadras de sabor popular, os intérpretes “focam a paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, num total de 17, que vão sendo cantadas alternadamente pelos dois grupos”, referiu António José Gabriel.

“Esta prática estava arreigada na população de Arzila que, nesses dias, assistia nas soleiras das portas” a esta celebração da Semana Santa, “com um grupo à porta da igreja e o outro posicionado num local próximo onde existiam umas alminhas”.

Depois de entoarem as 17 quadras, os homens seguiam para outros lugares da antiga freguesia rural, no concelho de Coimbra.