Coimbra  22 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Ex-bancária julgada é tida “acima da média”

9 de Maio 2019

Um responsável de auditoria do banco público considerou, hoje, “acima da média” uma ex-bancária, que está a ser julgada, em Coimbra, sob acusação de se ter apropriado de 55 000 euros.

Para o jurista, inquirido como testemunha por um colectivo de juízes, S. R. denotava encontrar-se “acima da média” em termos profissionais e de desempenho de competências e evidenciou o desejo de repor a quantia.

A arguida, autora de uma confissão espontânea, integral e sem reservas, diligenciou no sentido de contrair um empréstimo para ressarcir a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Segundo o jurista, S. R., que se sentiu envergonhada, gozava de boa reputação no seio do pessoal do balcão da CGD onde trabalhava.

A sogra de S. R., apesar do lamento de ter sido magoada pela ex-bancária, reconheceu que ela era estimada pelos colegas.

Na óptica de uma antiga colega da outrora bancária, a arguida enfrentou sobressaltos sentidos por quem, como ela, passou uma gravidez sozinha.

O advogado de defesa fez notar que S. R. não enriqueceu, vivendo, hoje em dia, “pior do que já viveu”.

A arguida afirmou haver entrado “em desespero” ao sentir que não possuía dinheiro para fazer face aos encargos contraídos, situação agravada pelo divórcio.

“Deram [S. R. e o ex-marido] um passo maior do que a perna”, desabafou a sogra da ex-bancária.

Para o Ministério Público – que, por lapso, se referiu, na peça acusatória, à medida de coacção de prisão preventiva ao abrigo de outro inquérito do foro criminal – a arguida cometeu crimes de peculato, falsificação de documento, branqueamento de capitais e falsidade informática.

Pratica peculato o funcionário que, ilegitimamente, se apropriar, em proveito próprio ou de outra pessoa, de dinheiro ou de qualquer coisa móvel (…), que lhe tenha sido entregue, esteja na sua posse ou lhe seja acessível em razão das suas funções.

Sobre a mulher, que esteve durante mais de uma década ao serviço da Caixa Geral de Depósitos, recaem indícios de movimentação de dinheiro depositado em contas de vários clientes do banco público.

Segundo a peça acusatória, S. R. concebeu um engenhoso plano, para cuja concretização terá abusado da confiança nela depositada por colegas e por um superior hierárquico.

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