Coimbra  21 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Escola Eugénio de Castro encerra devido a greve

4 de Maio 2018 Jornal Campeão: Coimbra: Escola Eugénio de Castro encerra devido a greve

A sede do Agrupamento de Escolas Eugénio de Castro, em Coimbra, encerrou na manhã de hoje devido à greve dos trabalhadores não docentes, já que apenas três de 12 funcionários se apresentaram ao serviço, afirmou o director.

“Vai encerrar o dia todo, não temos condições de funcionar que permitam a segurança da escola. Neste momento deviam estar ao serviço 12 funcionários, entraram apenas três”, disse à agência Lusa António Couceiro, director do agrupamento de escolas Eugénio de Castro.

“Há serviços chave, nomeadamente a portaria ou o serviço de bar dos alunos e como tal é uma questão de segurança, não temos hipótese nenhuma”, adiantou o responsável, aludindo ao encerramento do estabelecimento de ensino do segundo e terceiro ciclos do ensino básico.

Do lado dos sindicatos que convocaram a paralisação de hoje, João Ramalho, dirigente da Federação Nacional de Educação (FNE) e do Sindicato dos Técnicos Administrativos e Auxiliares de Educação (STAEE) do Centro disse que os dados preliminares de que dispõe apontam para o encerramento de “várias” escolas no distrito de Coimbra.

O dirigente da estrutura sindical afecta à UGT frisou que as escolas têm números “muito exíguos” de trabalhadores não docentes, argumentando que “quando falta algum trabalhador desequilibra logo todo o trabalho na escola e a segurança dos alunos”.

Olinda Rio, do secretariado nacional do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP), também afecto à UGT, argumentou com a precariedade em termos de vínculo, salarial e nas funções dos assistentes operacionais das escolas, sustentando que “estas pessoas, hoje, são pau para toda a colher”.

“O que é absolutamente lamentável é que não tenham uma carreira, um salário digno, nem condições para exercerem a sua profissão com dignidade”, enfatizou.

Os trabalhadores não docentes estão hoje em greve para exigir a integração dos vínculos precários, uma carreira específica e meios suficientes assegurar para o bom funcionamento das escolas.

A greve é convocada por estruturas sindicais afectas às duas centrais sindicais, CGTP e UGT, no dia em que o calendário escolar tem marcada uma prova de aferição de Educação Física para os alunos do 2.º ano de escolaridade.

Oito em cada 10 directores escolares queixam-se da falta de assistentes operacionais, segundo um inquérito, realizado no mês passado.

O trabalho, realizado pelo blogue Comregras em parceria com a Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), revelou também que quase metade destes funcionários tem mais de 50 anos e apenas um por cento ganha mais de 650 euros.

A maioria dos directores escolares (82 por cento) depara-se diariamente com a falta de funcionários, de acordo com os dados recolhidos junto de 176 dirigentes.

Muitos destes trabalhadores estão nas escolas há mais de 20 anos e recebem o salário mínimo: 41,5 por cento ganham 580 euros, 57,4 por cento levam para casa entre 581 e 650 euros e apenas 1,1 por cento tem um vencimento superior a 650 euros, segundo o inquérito.