Coimbra  17 de Fevereiro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Escola de Enfermagem em projecto europeu na área farmacêutica

5 de Fevereiro 2020

A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) está a participar, com instituições de ensino superior de 14 países, num projecto europeu para harmonizar a função do enfermeiro em relação aos cuidados farmacêuticos, anunciou hoje aquele estabelecimento.

Além de pretender “harmonizar e clarificar a função dos enfermeiros no que respeita ao cuidado farmacêutico no seio da equipa interprofissional nos países europeus”, o projecto também visa “optimizar o uso de medicamentos e melhorar os resultados em saúde”, afirma a ESEnfC.

Com financiamento europeu, através programa Erasmus +, o projecto – denominado “Desenvolvimento de um modelo interprofissional para a função do enfermeiro no cuidado farmacêutico” (DeMoPhaC, na sigla em inglês) – envolve cerca de 14 000 profissionais de saúde.

“Só na fase de validação do modelo”, sublinha a ESEnfC, “espera-se a participação, em Portugal, de 382 enfermeiros, 368 farmacêuticos e 382 médicos, elevando-se, na totalidade dos países abrangidos neste projecto, o número de profissionais envolvidos para 5 329 enfermeiros, 3 645 farmacêuticos e 5 304 médicos”.

Os enfermeiros têm “tarefas claras e legalmente determinadas na preparação e administração de medicamentos, bem como na vigilância da resposta do doente à medicação administrada”, mas a sua “função no cuidado farmacoterapêutico interprofissional não é claramente descrita em termos de tarefas e responsabilidades que transcendem a habilidade técnica de enfermagem”, destaca a ficha do DeMoPhaC.

“Há uma grande diferença nesse papel entre os países europeus”, sendo que “a prescrição de medicamentos é a diferença mais visível”, acrescenta.

De acordo com uma “análise preliminar de um estudo” em 3.300 enfermeiros, médicos e farmacêuticos europeus, a pontuação média da comunicação interprofissional no cuidado farmacoterapêutico foi considerada “alarmante dada a ligação com a segurança do paciente”, refere ainda o documento.

“As diferenças entre os países europeus são “essencialmente de cariz cultural, com falta de transparência e reconhecimento da função do enfermeiro no seio da equipa, no plano legal e da prática”, sustenta Luís Manuel da Cunha Batalha, coordenador da equipa da ESEnfC envolvida no projecto.

De acordo com o investigador da ESEnfC, se “aparentemente apenas aos enfermeiros portugueses não era permitida a prescrição de medicamentos”, uma “análise mais profunda veio evidenciar que muitos enfermeiros afirmavam que prescreviam”, quando, “na prática, o que se passava era uma cultura de mútua confiança entre enfermeiro e médico, não sustentada legalmente ou mesmo por protocolos institucionais”.

Ou seja, “em condições específicas, apenas em Espanha a prescrição é legalmente sustentada”, explicita, citado pela ESEnfC, Luís Batalha.

“A preparação dos enfermeiros portugueses é, de uma forma geral, boa, mas o cuidado farmacoterapêutico na equipa interprofissional (que inclui enfermeiro, médico e farmacêutico) carece, na prática clínica, de uma clarificação de funções, que muito se deve à falta de comunicação e interesses corporativistas”, conclui Luís Batalha.

A equipa de investigadores da ESEnfC presente no projecto DeMoPhaC é ainda constituída pelos docentes Isabel Fernandes, Paulo Alexandre Ferreira, Amélia Castilho e por José Miguel Seguro, Susana Calhindro e Inês Simões Pereira, estudantes do mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica.

Além da ESEnfC, participam no projecto instituições da República Checa, Bélgica, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Macedónia, Holanda, Noruega, Eslováquia, Eslovénia, Espanha e País de Gales.

 

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