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“Coimbra é a melhor cidade que existe e não há igual”

3 de Novembro 2018 Jornal Campeão: “Coimbra é a melhor cidade que existe e não há igual”

Publicado a 09 de Agosto de 2018, na edição n.º938

 

Nome: CARLOS Manuel Dias CIDADE
Naturalidade: Coimbra
Idade: 59 anos
Profissão: Vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra; Jurista na Águas do Centro Litoral, SA
Passatempos: Estar com os amigos e família
Signo: Peixes

 

É conimbricense de gema embora tenha “uma costela alentejana” que não esquece: “a costela alentejana vem da parte do meu pai. Aliás, o apelido Cidade vem do Redondo, no Alentejo. Há muitas referências a este apelido lá. O professor Hernâni Cidade, por exemplo, é do Redondo”, esclarece.
Carlos Cidade viveu a infância e estudos iniciais na freguesia de Santa Clara mas concluiu depois o secundário no Liceu D. Duarte ingressando na, denominada à altura, Escola Sidónio Pais/Jaime Cortesão, onde fez o curso de Administração e Comércio.

Considera-se um “filho do 25 de Abril de 1974” pelas inúmeras questões sociais que, afirma, o aliciaram e conduziram nas escolhas que fez ao longo da vida, nomeadamente na escolha do curso de Direito no Instituto Superior Bissaya Barreto, em Bencanta: “os direitos daqueles que não têm voz, sempre foram uma preocupação minha. A evolução da minha actividade política levou a que o Direito fosse sempre um objectivo e por isso mantive sempre uma actividade sindical até ao ano de 1993. Concluí a licenciatura em 2005 com orgulho e feliz por ter tido grandes mestres, nomeadamente os Professores Rui Alarcão, Figueiredo Dias, Xavier de Bastos, Vital Moreira e Barbosa de Melo. Finalizei, mais tarde, a Pós-Graduação em Direito do Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. ”, acrescenta.

Em 1994 começou a trabalhar com Manuel Machado, primeiro como Adjunto, depois, até 2002, como Chefe de Gabinete na Câmara Municipal de Coimbra, altura em que foi criada a sociedade Águas do Mondego, hoje Águas do Centro Litoral, SA (Grupo Águas de Portugal), tendo sido um dos primeiros funcionários a integrar essa equipa. Actualmente faz parte do quadro da empresa gerindo o Núcleo de Apoio Jurídico, um cargo cujas conquistas, afirma, são motivo de orgulho: “A Águas do Mondego estava a iniciar a actividade, havia muita obra para fazer e o meu trabalho foi desbloquear tudo o que era terrenos para se colocarem as infra-estruturas. Estava ligado à área das expropriações e orgulha-me de, entre os milhares de processos de negociações, nenhum ter sido litigioso. Foram todos por acordo mútuo e, mesmo nalguns casos, em terrenos de difícil acessibilidade, ajudei até na legalização desses terrenos relativamente aos proprietários”.

No plano associativo é inequívoco o clube pelo qual nutre grande paixão: “Sou apaixonado pela Académica. Hoje ela é diferente, mas o futebol também o é porque hoje é uma actividade económica, o desenvolvimento da sociedade é outro e o futebol também acaba por reflectir isso mesmo. Não podemos exigir que tenha exactamente os mesmos valores que tinha antes. As armas são diferentes e as práticas alteraram-se o que leva a que nos tenhamos de adaptar. Mas para uma instituição como a Académica, é sempre mais difícil do que para outros clubes porque outros são empresas e funcionam como tal e a Académica não, acaba por ser uma luta desigual. Isto tem alguma influência nos
resultados. É evidente que dentro das quatro linhas são 11 contra 11 e tudo pode acontecer mas os meios são muitas vezes diferentes”, defende o antigo Dirigente da Associação Académica de Coimbra – OAF e ex-membro da Mesa da Assembleia Geral.

Vereador da Câmara Municipal de Coimbra, entre 2009 e 2017, com as áreas delegadas da Gestão Urbanística, Ambiente e Desporto e Deputado à Assembleia Municipal de Coimbra, pelo Partido Socialista, entre 1993 e 2009.

Nos dias de hoje, além de Presidente da Comissão Política Concelhia de Coimbra do Partido Socialista, é também Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coimbra. Um cargo que diz exercer com brio em prol duma cidade que considera única: “acredito que a política é uma forma de servir. Infelizmente a sociedade tem levado a um falso
entendimento do que é a política e do que deve ser um político e as más excepções são generalizadas. Estou na política como forma de contribuir e servir e dar o meu melhor, disponível para servir os outros, este é o princípio base da minha actividade política. Coimbra é a melhor cidade que existe e não há igual. É uma cidade que caminha para uma maior valorização e que tem mostrado, quer do ponto de vista universitário quer empresarial, que saem para o mundo coisas boas nascidas em Coimbra. A aposta passa cada vez mais por aí. Orgulha-nos o passado de Coimbra e o presente que estamos todos a desenvolver. Estaremos num patamar que não nos envergonha. Orgulho-me da convicção clara que os cidadãos que precisaram eu ajudei tendo a posição que ocupo. O melhor que temos são as pessoas e nesse sentido o servir as pessoas e contribuir para a sua felicidade é o mais importante”, defende.

Para Carlos Cidade o seu percurso é, acima de tudo, motivo de muito orgulho. Um sentimento que quer continuar a alimentar: “Hoje faria quase tudo o que fiz até hoje. A única coisa que mudava era ter-me licenciado mais cedo. A minha envolvência nos movimentos sociais e sindicais ocupavam-me muito tempo na altura mas, olho para trás e
orgulho-me do que fiz. E mais: quero orgulhar-me do que vou fazer ainda”.

E ainda…

“Tive total apoio dos pais para tirar o curso de Direito mas também quando tiro o curso já sou casado e pai de filhos.”

“O ‘bichinho autárquico’ levou-me a definir muito bem os objectivos, quer na Licenciatura de Direito quer na Pós-graduação em Direito de Ordenamento do Território, Ambiente e Urbanismo. Se calhar não é por acaso que, nas minhas funções na Câmara Municipal de Coimbra, essas componentes são da minha responsabilidade.”

“Tenho dois filhos dos quais me orgulho muito. A minha filha licenciou-se em Administração e Auditoria e o meu filho está no segundo ano de Engenharia Física.”

“O ensino de Direito em Coimbra é uma referência. Repare-se na actividade que tem em relação a muitos países estrangeiros. Além disso, podendo haver pequenas diferenças em relação a conceitos noutras Universidades, direi que a Universidade de Coimbra, pelo cariz humanista que coloca no próprio ensino do Direito, é realmente uma referência importante.”

“Tento procurar o convívio com os amigos. Felizmente tenho muitos e consigo ter amizades que vão muito além da política partidária.”

“As críticas à cidade ouço-as há mais de cinquenta anos. O meu pai, em determinados períodos, há 20 ou 30 anos atrás, já dizia que nunca tinha visto pessoas como as de Coimbra, que criticam a própria cidade. É uma maneira de estar, a de algum criticismo. Mas eu creio que comparar Coimbra com a de há anos e não ver as evidências da evolução da cidade é dizer mal só por dizer. Isso reflecte-se nas pessoas que não estiveram em Coimbra ou que vão e regressam e ficam maravilhadas com a evolução da cidade. Ainda agora, na Queima das Fitas, tive oportunidade de estar em contacto com um conjunto de médicos que terminaram o curso há cinquenta anos atrás, e pude ver a alegria deles e a surpresa (pelo lado positivo) com a Coimbra de hoje. Acho que muitos têm dado o contributo para a evolução de Coimbra. Sou um optimista por natureza e vejo na critica uma maneira de estar que é legitima. Mas, muitas das vezes, a critica que é feita não é o reconhecimento daquilo que hoje é a cidade mas tem sim outros objectivos. A pessoa que faz a crítica aqui tenho dúvidas que a faça fora daqui.”

“A Baixa de Coimbra acaba por reflectir aquilo que se passa em qualquer cidade com um centro histórico antigo. Há um esforço que está a ser desenvolvido. A questão da propriedade é o maior problema e, enquanto não se resolver, é difícil encontrar outra solução. Da parte da autarquia está a fazer o que lhe compete que é a requalificação do espaço público, mas sabemos que isto não é tarefa fácil.”