Coimbra  12 de Dezembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Comissão Política Distrital do CDS-PP demitiu-se

10 de Outubro 2019

O presidente da Comissão Política Distrital de Coimbra do CDS-PP, Rui Nuno Castro, demitiu-se, no que foi acompanhado por larga maioria dos membros deste órgão, originando a sua dissolução.

“O resultado obtido pelo CDS-PP nas eleições legislativas, tanto a nível nacional, como a nível local, não acompanhou as nossas expectativas, que foram formuladas em cima do trabalho realizado essencialmente a nível local, porque era aí que poderíamos influenciar positivamente”, refere o ex-líder distrital num texto enviado, hoje, ao “Campeão”.

“Estivemos desde a primeira hora com a Direcção nacional do CDS-PP na prossecução de uma estratégia que assumimos sem reservas e que passou por uma aproximação das estruturas distrital e concelhias à Direcção nacional, que até há pouco tempo parecia impossível e que impediu ao longo de anos passados que os militantes do CDS-PP em Coimbra fossem respeitados na sua militância e no exercício da sua actividade política”, acrescenta.

Segundo Rui Nuno Castro, “apesar dos parcos recursos disponibilizados e da consciência exacta do contexto nacional que enfrentávamos, e que, como sabemos, é soberano, tudo fizemos para obter um bom resultado em Coimbra, mas não o conseguimos”.

“Por considerarmos que apesar de termos feito tudo o que devia ser feito, os sinais que recebemos dos portugueses, em Coimbra, são inequívocos e como consequência entendemos que única decisão possível era a apresentação da demissão da Comissão Política Distrital de Coimbra do CDS-PP ao presidente da Mesa do Plenário Distrital, que fizemos na passada segunda-feira, pessoalmente”, refere.

“Poderíamos, no entanto, referir alguns indicadores positivos quando colocamos os resultados locais em perspectiva, como a redução substancial da habitual variação negativa relativa ao resultado nacional em comparação com os actos eleitorais dos últimos 20 anos, ou o facto de termos, em Coimbra, subido em votação face às eleições europeias ao contrário do que aconteceu, por exemplo, em Lisboa ou no Porto, mas não os destacaremos, pois não nos detemos em vitórias morais para nos agarrarmos a qualquer tipo de situação ou estatuto”, justifica.

Na mensagem que endereçou às estruturas concelhias e aos militantes do CDS-PP, em Coimbra, Rui Nuno Castro pediu que “não interpretem esta demissão como um sinal de desistência, mas de dignidade política e, acima de tudo, de coerência com atitudes e princípios que nos caracterizam como pessoas”.

“Continuamos disponíveis para o partido como estivemos até aqui. Neste importante momento para o partido, consideramos que devemos deixar as decisões sobre o futuro do CDS-PP entregues às bases e sem quaisquer amarras a uma estrutura que foi eleita com pressupostos num projecto e numa estratégia passados e que não surtiram o efeito que todos esperávamos”, acrescentou.

Rui Nuno Castro diz “olhar para o trabalho que realizaram neste pouco mais de ano e meio de mandato e vê o grão de mostarda, que sendo a mais pequena de todas as sementes, há-de crescer e transformar-se numa árvore a ponto de virem aves do céu abrigar-se nos seus ramos”.

Em Coimbra, a noite foi particularmente dura para o CDS-PP, cuja lista era encabeçada pelo chefe de gabinete de Assunção Cristas, o ex-jornalista Rui Lopes. Os centristas conseguiram apenas 3,49% dos votos, menos de metade do resultado de há oito anos.

 

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