Coimbra  24 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Comissão do Jubileu lança campanha solidária “Cabo Delgado quer paz”

13 de Novembro 2020 Jornal Campeão: Coimbra: Comissão do Jubileu lança campanha solidária “Cabo Delgado quer paz”

A comissão organizadora do Jubileu de Santo António e dos Mártires de Marrocos, em estreita colaboração com o Mensageiro de Santo António, lança no próximo domingo (15), Dia Mundial dos Pobres, pelas 11h00, a campanha solidária “Cabo Delgado quer paz”, a favor das vítimas da guerra em Cabo Delgado.

A apresentação da campanha, que irá decorrer no Mosteiro de Celas, será feita pelo Frei Domingos Celebrin, pároco de Santo António dos Olivais em Coimbra, num momento que contará com a presença online do Bispo de Pemba, Dom Luiz Fernando Lisboa, que se quis associar ao arranque desta iniciativa.

“Na sequência da última sessão de “Diálogos com António: Ninguém fica para trás”, organizado no âmbito do Jubileu dos Mártires de Marrocos e da Vocação Franciscana de Santo António, no passado dia 01 de Novembro, fomos convocados a passar das palavras à acção, no que diz respeito ao drama dos deslocados em Moçambique, na região de Cabo Delgado. O testemunho marcante de Dom Luiz Fernando Lisboa, Bispo de Pemba, inspirou-nos a lançar esta iniciativa de solidariedade a favor dos nossos irmãos que fogem da guerra e se encontram deslocados em situação de extrema privação na Diocese de Pemba”, afirmou a comissão organizadora do Jubileu.

“Infelizmente, a ajuda humanitária não tem sido suficiente, dado o elevado número de pessoas deslocadas”, acrescentou a organização.

A campanha “Cabo Delgado quer paz” irá decorrer até 17 de Janeiro de 2021, o último domingo do Jubileu de Santo António e dos Mártires de Marrocos. Ao longo destes dois meses, a campanha terá como principais objectivos: angariação de fundos a favor da Cáritas da diocese de Pemba; sensibilização da opinião pública para o drama vivido nesta região; e oração fraterna a favor dos irmãos moçambicanos que sofrem esta catástrofe humanitária.

A guerra em Cabo Delgado, província do Norte de Moçambique, dura há cerca de três anos e já provocou mais de 400 000 deslocados internos e cerca de 2 000 vítimas mortais. Esta situação de catástrofe aterradora, tem vindo a agravar-se com inúmeros massacres nos últimos dias.

Dom Luiz Fernando Lisboa, Bispo de Pemba, que acompanha pessoalmente a situação no terreno, juntamente com a Cáritas diocesana e outras ONGs, descreve um cenário desolador e de extrema carência vivido pelas populações deslocadas. E acrescenta que “a Igreja nunca pode ficar calada quando vê situações como esta: seria um grave pecado de omissão. O mínimo que podemos fazer é emprestar a nossa voz para que esse povo seja ouvido, para que haja mais fraternidade e para que nós vençamos a indiferença, para que esse problema nos toque a cada um de nós. Não é um problema só daquelas pessoas, é um problema do mundo, é um problema nosso, é um problema de todos. Não é justo que as pessoas morram de fome, não é justo que as pessoas sejam tratadas daquela maneira. É por isso que temos tentado falar e convidar toda a comunidade moçambicana, mas também internacional, a ser solidária, a viver essa fraternidade de que Francisco fala na sua encíclica” (bispo de Pemba, Dom Luiz Fernando Lisboa, em “Diálogos com António 2020: Ninguém fica para trás”, 01 de Novembro de 2020).

No dia em que a Igreja assinala o IV Dia Mundial dos Pobres, sob o tema “Estende a tua mão ao pobre”, o Papa Francisco pede para concentrarmos o olhar no essencial e vencermos as barreiras da indiferença, de forma a podermos encontrar o Senhor Jesus, presente nos irmãos mais frágeis. Saibamos oferecer a nossa proximidade, caridade e oração aos nossos irmãos de Cabo Delgado. Esta será seguramente a melhor forma de concluir o Jubileu dos 800 anos dos mártires de Marrocos e de Santo António, ele que se fez próximo dos mais frágeis e dirigiu tão duras palavras àqueles que os exploravam ou passavam ao largo do alto da sua virtude.

Como já é habitual neste dia, a paróquia de Santo António dos Olivais prepara uma festa que reúne um elevado número de pobres da cidade, com celebração da Eucaristia às 12h00, no Mosteiro de Celas. Devido à actual situação de pandemia, não será possível o convívio habitual, mas será distribuída uma refeição individual a cada um dos participantes.