Coimbra  16 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra: Associação vai criar “reserva natural” em Almalaguês

8 de Julho 2019

A associação recém-formada MilVoz lançou uma campanha de angariação de fundos para criar uma pequena “reserva natural”, em Almalaguês, um primeiro passo para preservar o património da região de Coimbra.

A MilVoz – Associação de Conservação da Natureza lançou em 16 de Maio uma angariação de fundos ‘online’ (disponível em https://ppl.pt/milvoz) para criar a sua primeira “reserva natural” na região de Coimbra, sendo que, a cinco dias do fim da campanha, a organização já suplantou o objectivo de recolher 3 000 euros, disse à agência Lusa o presidente da associação, Manuel Malva.

O dinheiro será investido na compra de um terreno de cerca de um hectare, numa encosta na zona de Almalaguês, para criar uma espécie de “reserva natural” gerida pela MilVoz, referiu.

O terreno que vai ser comprado foi escolhido por ser “um dos redutos de floresta nativa” numa região em que as espécies autóctones “estão muito pouco representadas por causa das monoculturas florestais, dos incêndios e das espécies exóticas e invasoras”, salientou Manuel Malva.

Em Almalaguês, a associação encontrou uma floresta dominada por castanheiro e carvalho alvarinho, por onde passa um ribeiro e onde se observa também uma grande diversidade de fauna – de corsos a texugos, passando pelo pica-pau ou papa-figos -, contou o estudante de biologia.

A aquisição do terreno tem “uma dimensão simbólica” e a ideia é “envolver a comunidade ao máximo na gestão do espaço e avançar com iniciativas de educação ambiental”.

Após a compra do terreno, a MilVoz pretende que este seja apenas um primeiro passo para a criação de “uma rede de pequenas reservas que se possam gerir em prol da biodiversidade”.

“Queremos, também, aumentar a área a preservar desta reserva, nomeadamente envolvendo zonas muito degradadas de eucaliptal que gostávamos de recuperar e reconverter”, vincou.

Para Manuel Malva, o facto de a campanha já ter excedido os 3 000 euros pedidos (com o contributo de 108 apoiantes até hoje) “foi uma surpresa”.

“Foi um tiro no escuro e percebemos que a sociedade civil acolheu o projecto, identificou-se com ele, já o tornou possível e dá-nos alento”, frisou o presidente da associação, explicando que o dinheiro angariado acima do pedido será para aumentar a área da reserva.

No terreno, a associação pretende preservar a floresta nativa já “relativamente desenvolvida”, tentando ao mesmo tempo exponenciar “ao máximo a biodiversidade” presente, nomeadamente através da plantação e promoção da regeneração natural em zonas mais perturbadas, da construção de caixas-ninho para aves e charcos para anfíbios ou a instalação de uma colmeia para ajudar na polinização.

“Há um conjunto enorme de coisas que podemos desenvolver e queremos envolver a comunidade nisso”, acrescentou.

A campanha de angariação de fundos da MilVoz termina na sexta-feira.

 

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