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Coimbra: Antigo teatro na “Alta” vai ser bloco habitacional

8 de Agosto 2017

O antigo Teatro Sousa Bastos, na “Alta” de Coimbra, abandonado há décadas, vai tornar-se num imóvel habitacional, com 32 apartamentos, mas mantendo a fachada do edifício, de acordo com a proposta aprovada, ontem, pela Câmara.

O executivo Municipal de Coimbra aprovou, com cinco votos favoráveis da maioria PS e seis abstenções da oposição (coligação PSD/PPM/MPT, CDU e CpC) a transformação do antigo Teatro Sousa Bastos num imóvel habitacional, com 30 apartamentos de tipologia T0, dois T1 e um espaço cultural, que será entregue à Câmara.

O projecto do proprietário do imóvel, adquirido no início dos anos de 1990 (século XX), que prevê a “preservação da fachada” do imóvel, envolve um investimento global da ordem dos dois milhões de euros.

No edifício, implantado na zona histórica da cidade, será disponibilizada uma área com cerca de 724 metros quadrados, que será cedida ao Município, para nela criar um espaço para “dinamização cultural da ‘Alta’ de Coimbra”.

Para a Câmara, “a recuperação do edifício usualmente conhecido por antigo Teatro Sousa Bastos representa não só a preservação da “memória” e imagem visual desta zona da ‘Alta’ da cidade”, como constitui, também, “pelos usos propostos, um contributo positivo para a dinamização da reabilitação” desta área da cidade, atraindo pessoas, e para “a dinamização cultural da ARU [Área de Reabilitação Urbana] Coimbra Alta”.

A oposição na Câmara questiona, no entanto, o facto de não estar definida a utilização, “em concreto”, que a autarquia pretende dar ao espaço cultural a criar no edifício, defendendo, designadamente, a necessidade de sujeitar o projecto de arquitectura à ocupação que aquela área vier a ter.

“Espaço [cultural] polivalente” significa um pequeno cineteatro, salas de ensaio ou, por exemplo, instalação de companhias e grupos, questionou José Vieira Lourenço, do movimento Cidadãos por Coimbra (CpC), defendendo que necessita de ter “mais informação” para se pronunciar sobre o projecto.

“É importante atrair famílias para o centro histórico [da cidade], mas com [apartamentos] T0, não parece fácil”, sustentou ainda, por outro lado, o vereador do CpC, propondo que o projecto fosse objecto de debate público e decidido depois das eleições autárquicas.

Este projecto “deu entrada na Câmara há dois anos”, espaço de tempo que, na opinião do social-democrata João Paulo Barbosa de Melo, teria sido suficiente para existirem propostas concretas sobre o uso do espaço cultural.

Além disso, sustentou, “este ‘timing’ não é o melhor”, já que faltam menos de dois meses para as eleições autárquicas, disse Barbosa de Melo, sublinhando que, contudo, não seria a sua bancada a “obstaculizar o projecto”.

“É importante que, de uma vez por todas, se reabilite o espaço [onde está implanto o antigo Teatro Sousa Bastos] e que o Município também possa beneficiar”, mas é igualmente “importante que nos seja dito mais sobre o projecto”, designadamente relativamente à arquitectura do espaço cultural, salientou Francisco Queirós, da CDU.

Além disso, destacou o vereador da CDU, há opiniões diversas de responsáveis técnicos internos da Câmara sobre o projecto.

Construído onde outrora existiu a Igreja de São Cristóvão (século XII), o imóvel começou a ser edificado em 1860, denominando-se então Teatro D. Luís, sendo, depois, reconvertido no Teatro Sousa Bastos, que foi inaugurado em 1914.

Depois de desactivado, no final dos anos de 1980, o Teatro Sousa Bastos funcionou, no início da década seguinte, durante cerca de dois anos, como espaço cultural, dinamizado pela companhia de teatro Bonifrates, que o abandonou designadamente por razões de segurança, sendo pouco depois adquirido pelo actual proprietário.

 

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