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Coimbra: Agostinho Almeida Santos evocado nos 20 anos da telemedicina

25 de Janeiro 2019

Eduardo Castela, José Guimarães, Maria de Belém, Ramalho Eanes, Fernando Regateiro e Teresa Almeida Santos

 

O médico Agostinho Almeida Santos, falecido há meio ano, foi hoje evocado, em Coimbra, como investigador e pioneiro na medicina, professor universitário que manteve uma relação próxima com Cabo Verde e um cidadão activo.

A homenagem decorreu no Hospital Pediátrico, no âmbito da comemoração dos 20 anos de Telemedicina do Serviço de Cardiologia Pediátrica, de que Agostinho Almeida Santos foi um dos fundadores, e contou com a presença da família, de várias personalidades como o ex-Presidente da República Ramalho Eanes, a antiga ministra da Saúde Maria de Belém e o bastonário da Ordem dos Médicos.

A filha, Teresa Almeida Santos, evocou o pai “exigente e rigoroso, um homem de causas e de convicções”, mas que “cultivava a amizade, celebrava a vida e tratava cada pessoa de uma forma especial”.

Ramalho Eanes, que recordou o convívio com Agostinho Almeida Santos em todos os verões, no Algarve, destacou a “personalidade boa e forte” que “tinha sempre um sorriso para as mães e os bebés”.

Por outro lado, Maria de Belém Roseira recordou tê-lo conhecido numa visita a Cabo Verde, como ministra da Saúde, e assinalou no homenageado o “académico, o investigador e o pioneiro que com a utopia transforma o presente”, fazendo parte do conjunto de “pessoas boas que não podem desaparecer da nossa memória e são um guia”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Guimarães, considerou que Agostinho de Almeida Santos foi “um homem de excepção, que dedicou a vida à ciência e às pessoas”, sendo um exemplo para a classe.

O médico Eduardo Castela, que dirige o Serviço de Cardiologia Pediátrica e preside à Associação Portuguesa de Telemedicina, referiu o privilégio em o ter tido como amigo e disse sentir a falta dos seus conselhos, considerando-o uma pessoa que “sonhou, lutou e concretizou, engrandecendo Coimbra e o país”.

Para Fernando Regateiro, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Agostinho Almeida Santos, que tinha anteriormente liderado os HUC, era uma pessoa “pro-activa, intenso na vida, frontal, rigoroso e exigente, com grande capacidade em congregar e constituir equipas”. De reconhecimento

Em directo de Cabo Verde, por videoconferência, o ex-Presidente Pedro Pires deu o seu testemunho de “reconhecimento e saudade” por quem foi cônsul honorário do país em Coimbra e na região Centro, e “fez muito” pelos estudantes e doentes cabo-verdianos, assim como pela telemedicina.

O professor catedrático de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Agostinho Almeida Santos faleceu, aos 77 anos, a 14 de Julho de 2018.

Presidente do Conselho de Administração dos Hospitais da Universidade de Coimbra entre 2005 e 2007, notabilizou-se por haver sido pioneiro em Portugal da técnica de procriação medicamente assistida através do sistema de transferência de gâmetas para a trompa, método que propiciou o nascimento da primeira “bebé-GIFT” em Junho de 1988, tendo criado e dirigido o Programa de Reprodução Medicamente Assistida a funcionar em Coimbra desde 1985.

A um vasto e rico currículo que o tornou voz respeitada em todo o mundo no domínio da genética e reprodução humana, Agostinho Almeida Santos juntava o interesse pela cidade conimbricense, com um empenhamento cívico que o levou a participar em vários projectos e inúmeras acções, dando contributo ao seu desenvolvimento.

Desempenhou funções de perito da CEE na área da investigação em bioética, é autor do livro “Razões de ser” (em que analisa os problemas e o futuro da biotética à luz do desenvolvimento científico e do progresso tecnológico) e foi membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida eleito pela Assembleia da República.

 

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