Coimbra  23 de Julho de 2024 | Director: Lino Vinhal

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Co-organizador diz que estão “reunidas as condições” para bienal de Coimbra acabar

10 de Abril 2024 Jornal Campeão: Co-organizador diz que estão “reunidas as condições” para bienal de Coimbra acabar

O Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), entidade que co-organiza e produz a Anozero, diz que estão “reunidas as condições” para a bienal acabar, face ao avançar do processo de transformação do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova num hotel.

“É uma péssima notícia para nós”, afirmou à agência Lusa o director do CAPC, Carlos Antunes, que sempre criticou aquele concurso público, considerando que não eram asseguradas as condições para a bienal continuar a acontecer naquele monumento (assegurava um espaço reduzido de cerca de 600 metros quadrados de dois em dois anos e por um período curto).

Segundo Carlos Antunes, as obrigações associadas às candidaturas ao Revive, programa de requalificação de património para fins turísticos, “não garantiam as condições para a actividade da bienal”.

“Sem alternativa, a bienal acaba. O senhor presidente [da Câmara de Coimbra] avançou com um cenário novo que acho que não serve a bienal e, portanto, estão reunidas as condições para a bienal acabar”, afirmou, fazendo alusão à possibilidade avançada por José Manuel Silva, na inauguração da bienal, no sábado, de a Anozero passar a ter como espaço central o antigo Pediátrico de Coimbra.

Apesar de não saber até quando é que o Mosteiro estará disponível para a arte contemporânea, Carlos Antunes vinca que é fundamental encontrar o quanto antes “uma solução de futuro para a bienal”.

“Se isto não se resolver com celeridade, teremos de suspender o ‘solo show’ [exposição a solo que intercala com a bienal, em 2025]. Na inauguração da bienal, disse que aquele era o dia pelo qual mais esperávamos. Hoje é o dia que tanto desejávamos que não acontecesse”, disse o director do CAPC.

Na altura da inauguração da bienal, José Manuel Silva deu como possibilidade para a continuação da Anozero o antigo Pediátrico de Coimbra, para o qual a Câmara também já assumiu a vontade de avançar com um projecto para o transformar num Centro Transdisciplinar de Apoio à Criação Artística.

À agência Lusa, Carlos Antunes disse que não conhece o espaço e que apenas sabe “que são ruínas”.

“Ruínas é tudo aquilo que não precisamos. A precariedade absoluta marcou os primeiros dez anos da bienal. Esse período acabou”, asseverou, referindo que nunca foi convidado a visitar o espaço, apesar de estar disponível para o fazer.

Para Carlos Antunes, é preciso “um plano de intervenção, com prazos e condições”, sublinhando que está sempre disponível para fazer “pontes” e encontrar soluções, mas recordou que irá sempre defender “de forma obstinada o respeito pela arte e pelos artistas”.

Questionado pela agência Lusa sobre se tem alguma reunião marcada com a Câmara para debater o assunto, o director do CAPC disse que nunca foi convocado para reunião “dessa espécie sobre o Pediátrico ou lugar nenhum”.

“A bienal é um lugar de esperança e futuro. Ou há um sinal claro da importância do nosso trabalho ou então não vale a pena. A dimensão quixotesca acabou e, ou há sinal da tutela e do município da absoluta relevância deste projecto, ou ele deixa de existir”, acrescentou.

A agência Lusa procurou uma reacção da Câmara de Coimbra à informação sobre o concurso para o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, mas o município recusou-se a comentar, por ainda não ter sido notificado oficialmente sobre o processo.