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Cientistas são embaixadores de Portugal no mundo

28 de Dezembro 2016 Jornal Campeão: Cientistas são embaixadores de Portugal no mundo

O Presidente da República disse, hoje, em Coimbra, que os cientistas e investigadores portugueses no estrangeiro são embaixadores “particularmente qualificados” de Portugal no mundo.

Intervindo durante o 5.º fórum anual dos Graduados Portugueses no Estrangeiro, Marcelo Rebelo de Sousa disse que existem embaixadores formais e depois os embaixadores “substanciais ou materiais ou, se quiserem, informais, mas que não são menos importantes do que os formais”, frisou, dirigindo-se à plateia de cerca de 150 pessoas, no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.

“E o que tem de novo a vossa comunidade é que é muito qualificada. E ser muito qualificada a responsabilidade é maior”, argumentou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Chefe de Estado adiantou que ser embaixador é “funcionar nos dois sentidos”: por um lado trazer para Portugal “o que há de melhor, o que há de ponta” nos países onde os cientistas nacionais desenvolvem a sua actividade e, por outro lado, levar para esses países, sociedades e meios científicos “o que Portugal é hoje e o que Portugal quer ser no futuro”.

“Não apenas a imagem do passado, que é importante, historicamente e culturalmente, até porque somos muito do que fomos. Mas sobretudo o que somos hoje e o que queremos ser amanhã”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

“Isso é uma acção persistente, constante. Não vale a pena acreditar que são os embaixadores, os cônsules, os representantes da AICEP [Agência Portuguesa de Investimento e Comércio Exterior] que têm essa função essencial, não”, alegou o PR, frisando que no funcionamento em rede que é o dos cientistas e investigadores “muito mais rápido que o funcionamento diplomático clássico, mesmo quando é muito eficiente, a intervenção é mais célere e pode ser mais eficaz”, sustentou.

Fuga de cérebros não é mau, o problema é não atrair outros

Por outro lado, o reitor da Universidade de Coimbra afirmou que um dos grandes problemas do país não é a ‘fuga de cérebros’ portugueses, mas a reduzida capacidade de atrair outros para Portugal.

O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, considerou que a ‘fuga de cérebros’ não é algo “mau”, sublinhando que “o grande problema é ter uma capacidade inversa reduzida”.

“Há uma dificuldade do país em atrair cérebros, quer dos portugueses que foram para fora, quer de pessoas de outras nacionalidades, notou João Gabriel Silva, que falava durante a sessão de abertura do 5.º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro (GraPE).

“O problema está mais nessa capacidade inversa”, frisou, referindo que a ida de portugueses para fora é “absolutamente essencial” para o país, face à experiência que adquirem no estrangeiro.

Para o reitor da Universidade de Coimbra, é fundamental que Portugal adquira “capacidade de fixar e de atrair muitos dos portugueses que estão atualmente no estrangeiro”, visto que o desenvolvimento do país depende “do conhecimento”. Mas, para que isso se efectue, não depende “apenas do reconhecimento dessa necessidade”, mas também “de recursos para o poder fazer”.

João Gabriel Silva disse que os orçamentos das universidades “não subiram nada”, sendo que, para atraírem pessoas, as instituições do ensino superior dependem da capacidade de angariar “receita própria”.

Dirigindo-se para uma plateia onde estavam presentes investigadores portugueses no estrangeiro, o reitor sublinhou que “Portugal e o seu futuro vai depender da contribuição que os novos estrangeirados queiram e possam dar ao desenvolvimento do país”.