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Cientistas da FCTUC identificam proteína para clonagem de plantas

7 de Maio 2019

Uma equipa do Laboratório de Biotecnologia do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), da qual faz parte Sandra Correia, descobriu uma proteína que “assume um papel fundamental na clonagem de plantas”.

Segundo a UC, “a clonagem de plantas através de embriogénese somática – ferramenta para a rápida clonagem de espécies – apresenta-se como uma técnica muito promissora, mas a sua aplicação em larga escala ainda não é possível em muitas espécies com interesse económico e florestal, sobretudo em plantas lenhosas (árvores e arbustos)”, pelo que a descoberta desta nova proteína (a ‘NEP-TC’) é “mais um passo na complexa tarefa de perceber o que acontece no processo de clonagem in vitro por embriogénese somática, de forma a permitir a exploração comercial da técnica”.

A ‘NEP-TC tem um papel preponderante neste método de clonagem, já que regula “alterações do RNA, material genético que medeia a síntese proteica, influenciando assim as taxas de propagação”, adianta a instituição de ensino superior.

O estudo, sob coordenação de Jorge Canhoto, foi já publicado na revista científica “Frontiers in Plant Science”, tendo sido usado como modelo o “tamarilho, uma espécie arbórea da família do tomateiro e da batateira, com elevada capacidade de regeneração e interesse comercial”.

As conclusões da investigação, que se desenvolveu ao longo de vários anos, representa “uma importante peça do intricado puzzle que controla a clonagem de plantas”.

Sandra Correia, investigadora do projecto, afirma que foi identificado “um dos caminhos de um imenso labirinto de vias e interacções que ocorrem neste sistema de propagação”, pelo que o passo seguinte passa pelo estudo e compreensão “da funcionalidade desta proteína em diferentes estádios de desenvolvimento da planta e em diferentes etapas do processo de clonagem, bem como analisar e validar a sua funcionalidade quando interage com outras proteínas envolvidas na mesma via de regulação”.

Perante isto, só depois de decifrar todos os percursos desta difícil encruzilhada e “conhecendo todos os modeladores que interferem neste processo de clonagem, se poderá caminhar para soluções que permitam ultrapassar as dificuldades de clonagem noutras espécies arbóreas”, observa a investigadora da FCTUC.

A grande vantagem da propagação através de embriogénese somática “é o número de plantas que permite obter face a uma multiplicação convencional”, uma vez que “a partir de uma ínfima fracção de tecido vegetal da planta mãe, por exemplo da folha, consegue-se obter centenas de embriões somáticos idênticos, ou seja, é possível manter as características originais com interesse e garantir uma produção rápida e consistente”, explica a bióloga.

A investigação contou com a participação do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra e do ITQB da Universidade Nova de Lisboa, sendo que o trabalho de Sandra Correia foi financiado com duas bolsas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

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