Coimbra  1 de Dezembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Cientista da UC em grupo que elaborou guia para retomar investigações em segurança

15 de Maio 2020 Jornal Campeão: Cientista da UC em grupo que elaborou guia para retomar investigações em segurança

Jorge Almeida, investigador do Proaction Lab da Universidade de Coimbra (UC), é um dos 41 cientistas, de 20 países, que elaboraram um guia de orientações para possibilitar “o restabelecimento rápido e em segurança das actividades de investigação e clínicas ligadas à neurociência e ao uso de técnicas de estimulação neuronal”.

Esta área é, actualmente, bastante limitada devido à pandemia da covid-19, pelo que este guia, publicado na revista “Brain Stimulation” (uma das mais conceituadas revistas científicas da área da neurociência), visa, essencialmente, “auxiliar a comunidade científica e médica a adaptar-se para continuar gradualmente os estudos e tratamentos que subitamente foram inviabilizados”.

“Pretende-se dar resposta às restrições repentinas causadas pela pandemia que resultaram na interrupção e atrasos na actividade científica, nomeadamente nos estudos neurocientíficos, com a interrupção do recrutamento e teste de participantes, e com a paragem de ensaios clínicos e de tratamentos”, sublinha Jorge Almeida.

Segundo o investigador, “estes estudos utilizam procedimentos específicos, como é o caso do uso de estimulação neuronal não invasiva, um conjunto de técnicas de estimulação seguras usadas para modular a actividade cerebral”.

As técnicas de estimulação neuronal, esclarece, “têm sido utilizadas tanto em investigação básica e aplicada em neurociência, como em terapias destinadas ao tratamento de doenças psiquiátricas e neurológicas, sendo por isso a manutenção das mesmas de grande importância”.

Produzido a partir de um inquérito feito em 17 países, a 29 instituições que utilizam técnicas de estimulação neuronal não invasiva, este guia aborda as práticas que devem ser implementadas na situação actual para manter essas actividades em funcionamento, mas também indica como proceder em caso de possíveis epidemias ou pandemias futuras.

As orientações propostas – baseadas em três fases: impacto inicial da covid-19, práticas actuais e preparação futura – incluem uma lista de 12 passos que sugerem “a redução de contacto desnecessário, através da remoção ou da simplificação de protocolos e a incorporação da telemedicina”. “Recomendamos, ainda, o distanciamento social, cuidados redobrados na esterilização do equipamento utilizado e elencamos considerações mais específicas para populações abrangidas por estas experiências e terapias”, resume o também docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC (FPCEUC).

Segundo os autores do artigo científico publicado, uma das preocupações crescentes da comunidade científica “tem sido o possível aumento de doenças mentais devido ao impacto imprevisto da pandemia, bem como da priorização do tratamento do vírus, em detrimento de outras doenças, devido à súbita necessidade de reorganização de hospitais e clínicas. Sabe-se que há pacientes de departamentos neurológicos e psiquiátricos cujos tratamentos podem ter sido reduzidos e/ou adiados”. Por isso, a implementação das orientações propostas por este grupo de cientistas torna-se ainda mais indispensável para colmatar estas situações emergentes.

“Para além de permitir o avanço do conhecimento sobre diferentes tipos de doenças neuropsiquiátricas, as técnicas de estimulação são importantes para a investigação básica do cérebro e da mente”, refere ainda Jorge Almeida, que, conclui, “ao manter o funcionamento de laboratórios de investigação e infraestruturas clínicas que utilizam estas técnicas, espera-se portanto conseguir aliviar também, a curto e longo prazo, os efeitos psicológicos causados pela pandemia”.

O artigo científico está disponível: aqui.