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Cientista da FCTUC descobre esqueletos do período das invasões bárbaras

22 de Agosto 2019

Uma equipa de cientistas do Instituto de Investigação Antropológica de Zagreb, na Croácia, e da qual faz parte o investigador da Universidade de Coimbra, Daniel Fernandes, descobriu esqueletos de adolescentes do período das invasões bárbaras na Europa de Leste.

O especialista português, do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e do Departamento de Antropologia Evolutiva da Universidade de Viena, na Áustria, contribuiu para esta descoberta, cujos esqueletos datam do período das migrações bárbaras, também conhecido como o período das grandes migrações (século V d.C).

“As ossadas, que foram descobertas numa vala em Osijek, cidade do Leste da Croácia, correspondem a três adolescentes do sexo masculino com idades compreendidas entre os 12 e 16 anos. Eles estão associados à presença de vários povos nómadas, como os hunos e / ou tribos germânicas (designadamente gépidas e ostrogodos), nesta zona da Europa”, explica a UC, adiantando que o estudo dos restos esqueléticos encontrados “teve os seus resultados publicados na quarta-feira (21 de Agosto) na revista científica ‘PLOS One’”.

A investigação permitiu identificar “diferentes tipos de deformações cranianas artificiais (ACD, na sigla inglesa) em dois indivíduos e diferentes afinidades genómicas, apesar das semelhanças na idade à morte, sexo, saúde e dieta dos três adolescentes”, revela Daniel Fernandes, primeiro autor do artigo intitulado “Cranial deformation and genetic diversity in three adolescent male individuals from the Great Migration Period from Osijek, eastern Croatia”.

Segundo a Universidade de Coimbra, “a deformação craniana artificial é um acto intencional realizado em crianças com o objectivo de obter uma forma de crânio desejada. Há registos da prática deste fenómeno em várias culturas antigas em todo o mundo para demonstrar identidade de grupo e / ou individual, por exemplo, evidenciar o estatuto, nobreza ou afiliação de uma determinada classe ou grupo”.

Neste caso em concreto, os cientistas verificaram, também, que os adolescentes apresentavam desnutrição severa e patologias que “indicam uma experiência prolongada e grave de stress, mas a observação mais surpreendente é que eles tinham grandes diferenças na sua ancestralidade genética”.

“Os resultados das análises genéticas com base em dados nucleares de DNA indicam que um dos indivíduos com deformação craniana artificial apresenta maioritariamente ancestralidade do Leste asiático, e é, até onde sabemos, o primeiro indivíduo do período das migrações bárbaras geneticamente asiático a ser encontrado na Europa”, afirmam os líderes da investigação, Ron Pinhasi, da Universidade de Viena, Áustria, e Mario Novak, do Instituto de Investigação Antropológica de Zagreb, Croácia.

Os resultados deste estudo, conclui Daniel Fernandes, sugerem “a possibilidade de que diferentes grupos interagiam em proximidade uns com os outros nesta região durante o período das grandes migrações, mas também levanta algumas questões que só futuros estudos com muitas mais amostras nos ajudarão a compreender, como, por exemplo, perceber se é possível associar um tipo de deformação a um grupo específico”.

Para a análise dos padrões alimentares, sexo e afinidades genéticas dos três indivíduos descobertos durante as escavações realizadas em 2013, os cientistas combinaram métodos bioarqueológicos, isotópicos e DNA.

O artigo está disponível neste endereço.

Daniel Fernandes - FCTUC

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