Coimbra  24 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Cidadãos por Coimbra querem plano de arborização da cidade

30 de Março 2019

O movimento Cidadãos por Coimbra (CpC) apresentou, hoje, o documento “10 motivos para plantar e manter árvores nas cidades” e considerou urgente a elaboração e um plano de arborização.

“O CpC irá propor, já no inicio de Abril, o agendamento da discussão na Assembleia Municipal desse plano, porque é necessário e urgente e porque aquele deve ser o órgão de onde parta a dinamização de uma campanha aberta a todos”, refere Jorge Gouveia Monteiro, coordenador do movimento.

De acordo com o CpC, “é urgente um plano de arborização, aberto à participação de todos, com as Juntas de Freguesia, as empresas do ramo, os cidadãos e cidadãs voluntários/as que quiserem integrar-se nas equipas, porque trata-se de uma causa de cidade, não de um adorno mediático”.

Segundo Jorge Gouveia Monteiro, “em Coimbra, o problema não se mede apenas pelos danos causados pela Leslie e instalou-se ao longo das últimas décadas: o verde urbano diminuiu drasticamente. Coimbra vem perdendo árvores há muitos anos, por abate e não substituição, por incumprimento dos promotores de loteamentos e falta de fiscalização camarária quando da receção das obras, até por escolha de espécies não adequadas aos locais”.

“Há muitas e muitas centenas de caldeiras vazias, porque nunca levaram as árvores previstas, ou porque essas morreram ou foram abatidas e não substituídas”, refere o coordenador do CpC, acrescentando que “a boa época de plantio também não deve ser Março, mas sim o Outono/ Inverno, quando a generalidade das árvores estão em dormência e a probabilidade de vingarem é maior. A efeméride do Dia da Árvore, em Março deve ser, isso sim, o culminar de um trabalho sério e extenso, participado”.

“O anúncio de plantação de cerca de 150 árvores, em quatro locais, no passado dia 21 de Março, numa cidade que perdeu milhares de árvores só com a tempestade Leslie, dá uma má imagem de como os poderes públicos (não) estão a saber lidar com o problema. A banalização do ritual faz com que as pessoas encolham os ombros e o cidadão pensa: Lá estão eles a trabalhar para a foto”, – comenta Jorge Gouveia Monteiro.

Para o CpC, “a desarborização massiva de ruas e avenidas, em Coimbra, impulsiona para a oportunidade singular de repensar uma cidade verde que possa ter um índice de qualidade do ar com a classificação de ‘muito bom’ na maior parte do ano”.

O grupo de trabalho Recursos Naturais, Ambiente e Energia (RNAE) do movimento Cidadãos por Coimbra tem por missão propor e concretizar iniciativas de cidadania em matéria de recursos naturais (bióticos e abióticos), ambiente, incluindo o clima e o território (urbanizado ou não urbanizado), e energia, abrangendo inovação associada à conservação da biodiversidade, sustentabilidade ecológica e bem-estar humano, e eficiência energética, numa perspetiva (re)qualificação ambiental e de coesão social e territorial, para o concelho de Coimbra.

O documento “10 motivos para plantar e manter árvores nas cidades e o diagnóstico para Coimbra” é “um valioso contributo científico e político, preparado ao longo de cinco meses e que mereceu contributos de muitas pessoas, para a urgência de alterar e inverter o caminho de desastre climático que vem mobilizando crescentemente as atenções e energias dos nossos concidadãos”, refere Jorge Gouveia Monteiro, coordenador do CpC.

O estudo teve a autoria e coordenação de Anabela Marisa Azul, bióloga com especialização em Ecologia, Investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular e do Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra, e de Adelino Gonçalves, professor auxiliar do Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra.

 

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