Coimbra  26 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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CHUC realizou cirurgia inédita no país para tratamento da dor crónica

28 de Outubro 2020 Jornal Campeão: CHUC realizou cirurgia inédita no país para tratamento da dor crónica

O Serviço de Neurocirurgia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) implantou, esta quarta-feira (28), pela primeira vez no país, uma nova geração de neuroestimuladores, em doente com quadro complexo de dor crónica.

Estes novos neuroestimuladores têm a capacidade de adaptar a estimulação eléctrica à anatomia e quadro clínico do doente.

A cirurgia foi efectuada na Unidade de Cirurgia de Ambulatório (UCA), estando a equipa do CHUC em contacto directo com o professor Patrick Mertens, referência mundial no tratamento neurocirúrgico da dor, do hospital Pierre Wertheimer de Lyon, que acompanhou a cirurgia em permanência através de um sistema de vídeo e áudio integrante dos óculos do cirurgião, tendo assim ambas as equipas a mesma visão, colaborando em directo.

Ricardo Pereira, neurocirurgião responsável pela Unidade de Estereotaxia e Neurocirurgia Funcional (Serviço de Neurocirurgia) explica que “a neuroestimulação medular é uma das terapêuticas mais modernas e eficazes no tratamento de quadros específicos de dor crónica, nomeadamente na classe da dor chamada neuropática, onde muitos outros tratamentos são ineficazes e onde a neuroestimulação medular consegue, me casos bem seleccionados, resultados excelentes, abrindo uma nova esperança para doentes sem outras alternativas viáveis”.

“No CHUC já utilizamos há alguns anos a neuroestimulação em casos seleccionados de dor neuropática após cirurgias de coluna, traumatismos de nervos e angina de peito refractária, com resultados muito favoráveis. Sendo uma área de forte inovação tecnológica, ir-se-á manter a implantação dos mais modernos sistemas, que possibilitem tratar casos que previamente não teriam terapêuticas eficazes disponíveis”, acrescentou o especialista.

Ricardo Pereira explicou, ainda, que “a técnica consiste na implantação de um pequeno eléctrodo no interior da coluna, o qual, após uma fase de teste em que se verifica a resposta positiva no controlo da dor, é ligado a um pequeno gerador eléctrico subcutâneo que aplica os pulsos eléctricos que, estimulando clinicamente a medula, bloqueiam a percepção da dor, aliviando essa sensação na zona afectada do corpo”.

“Em muitos casos nem é sequer possível identificar a causa da dor crónica. Dado o avanço significativa que o tratamento da dor tem tido nos últimos anos, o objectivo último na dor crónica é não só o alívio da dor, mas a reabilitação e recuperação dos doentes para um melhor nível funcional, a nível pessoal, social e laboral”, concluiu o neurocirurgião.

A dor crónica é, habitualmente, definida como uma dor de duração superior a três meses, excedendo largamente o período em que seria expectável que o organismo recuperasse de uma agressão. É causa de sofrimento intenso por parte dos doentes atingidos, com repercussões a nível laboral, familiar, social e do seu bem-estar físico e psíquico, estimando-se que 25 a 35 por cento dos adultos sofrem de dor crónica, um terço dos quais não sendo sequer alvo de qualquer tratamento.

As causas de dor crónica podem ser muitas, como situações decorrentes de traumatismos, procedimentos cirúrgicos, doenças degenerativas osteoarticulares, insuficiência vascular, lesões do sistema nervoso, entre outras.