Coimbra  17 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Choupal e Bussaco com avultados prejuízos e fechados ao público

16 de Outubro 2018

A Mata Nacional do Choupal, em Coimbra, e a do Bussaco, na Mealhada, foram dois dos locais bastante afectados pela tempestade “Leslie”, deixando os espaços interditos ao público nas próximas semanas.

O “pulmão” de Coimbra sofreu perdas de árvores seculares e raras e a os habituais trilhos ficaram irreconhecíveis pela acumulação de ramos, folhas e troncos.

Em visita ao “pulmão” de Coimbra, hoje, o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, adiantou que a Mata foi atingida em 40 por cento da sua extensão, devendo permanecer fechada ao público nas próximas três semanas para operações de limpeza por parte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Neste espaço verde, com uma área que ronda os 80 hectares, o furação derrubou ou danificou elevado número de árvores, algumas seculares e de grande porte, além de ter causado outros prejuízos materiais.

O acesso dos cidadãos à mata de Coimbra, onde “o trabalho vai ser faseado”, vai manter-se interdito por razões de segurança até à primeira quinzena de Novembro para permitir uma intervenção de remoção de madeira, ramos e outros detritos deixados pelo temporal.

No Choupal, “há perdas irrecuperáveis”, incluindo “algumas árvores notáveis que não se voltarão a ver”, disse Miguel Freitas, adiantando que o principal objectivo, agora, “é abrir os principais trilhos” para que os cidadãos possam retomar a sua fruição.

Entre as árvores derrubadas pela ventania, o chefe de divisão do ICNF Rui Rosmaninho deu o exemplo de um cedro-do-atlas (cedrus atlântica), espécie nativa das montanhas do Norte de África, que deverá pesar de 10 a 15 toneladas.

De visita, também, à Mata Nacional do Bussaco, o governante viu ‘in loco’ os efeitos devastadores dos ventos que, no sábado (13), atingiram toda a região Centro.

A intervenção para recuperar o Bussaco, com uma área de 105 hectares, gerida por uma fundação como este nome ligada à Câmara Municipal da Mealhada, implica custos na ordem dos 400 000 euros (que serão suportados com verbas do Fundo Florestal Permanente).

Ali, numa extensão superior a seis quilómetros, de “um conjunto de 126 árvores notáveis, apenas três estão irrecuperáveis”, segundo o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural.

Neste espaço natural do município da Mealhada, os trabalhos decorrerão ao longo de pelo menos dois meses, pelo que só em Dezembro estará aberto a visitas.

“Tenho a certeza absoluta que não está comprometida a candidatura do Bussaco à UNESCO. Não há um único monumento ou património edificado com danos. Antes pelo contrário, vamos conseguir mostrar uma floresta ainda mais bonita, mais bela e mais limpa do que estava antes da tempestade”, declarou o presidente da Fundação Mata do Bussaco, António Gravato.

“Esta é mais uma contrariedade para a floresta portuguesa” e matas nacionais, declarou o secretário de Estado Miguel Freitas.

As propriedades florestais privadas, desde que situadas em concelhos com mais de 750 hectares afetados pela tempestade, terão direito a ajudas do Estado através de candidaturas ao Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020.

Na orla litoral do Centro, os efeitos destrutivos do Leslie “são mais notados” nas zonas que não foram atingidas pelos incêndios de 2017, onde as árvores ainda com copa foram mais vulneráveis à passagem da tempestade.

Os trabalhos de limpeza, recuperação e reposição nas matas do Estado situadas entre Marinha Grande e Mira deverão prolongar-se por cerca de dois anos, informou Rui Rosmaninho, na reunião com Miguel Freitas.

Miguel Freitas vai, ainda, visitar o concelho da Figueira da Foz, na próxima quinta-feira (18), às 12h00, onde apresentará o plano de intervenção nas matas públicas afectadas pela tempestade “Leslie”.

06 - Choupal3

Choupal margem

Bussaco  Foto: DR

Bussaco
Foto: DR

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