Coimbra  26 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Cerâmica Antiga de Coimbra proporciona distinção a arquitectos

17 de Abril 2019

A reabilitação do edifício da Cerâmica Antiga de Coimbra acaba de voltar a proporcionar uma distinção à arquitecta Luísa Bebiano e ao Atelier do Corvo (Carlos Antunes e Armandina Desirée Pedro).

O Prémio Vilalva, que distingue projectos para a recuperação e valorização do património, foi atribuído, este ano, à reabilitação de tal imóvel.

O projecto ganhador da distinção instituída pela Fundação de Calouste Guilbenkian apresentou um plano de intervenção candidato a “mostrar uma das seculares artes de Coimbra, inserida num espaço recuperado com as melhores técnicas de restauro, mantendo-se um diálogo em aberto nos processos de projecto e fabrico artesanal com uma linguagem contemporânea de intervenção”.

A Gulbenkian especifica, segundo a Agência Lusa, que foi também tida em consideração a dinâmica cultural do projecto.

Assim, a escolha teve por base, por um lado, a pertinência de intervir no Terreiro da Erva e, por outro, o facto de o projecto possuir um carácter marcadamente personalizado e familiar, o que o júri considera digno de destaque quando inserido numa sociedade marcada pela lógica das grandes corporações.

A relevância cultural da fábrica – devido à manutenção de uma tradição e recuperação de saberes – e consequente sustentabilidade económica do projecto, o mérito de recuperar um edifício que esteve prestes a ser demolido e o facto de se tratar de um ‘work in progress’, em constante melhoria e perspectivado para o futuro, são outros aspectos que o júri valorizou.

“Em suma, suma, o júri quis dar destaque à excepcionalidade – de localização, de programa, de forma de concretizar – do projecto de reabilitação do edifício da Cerâmica Antiga de Coimbra e à sua escala humana, esperando que este possa servir de exemplo a outras localidades”, destaca a Gulbenkian.

O júri foi constituído por António Lamas, Raquel Henriques da Silva, Gonçalo Byrne, Santiago Macias, Luís Paulo Ribeiro e Rui Vieira Nery.

No montante de 50 000 euros, o Prémio Vilalva distingue projectos de excelência na área da conservação, recuperação, valorização ou divulgação do património português, imóvel ou móvel.

Em 2017, Luísa Bebiano tinha sido uma das pessoas distinguidas, a par de Carlos Antunes e Desirée Pedro, com o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana na categoria de “Melhor intervenção com menos de 1 000 m2”, igualmente graças ao projecto de remodelação e reconversão do edifício da Cerâmica Antiga de Coimbra.