Coimbra  27 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Centro de Documentação 25 de Abril apresenta exposição sobre SNS

15 de Setembro 2021 Jornal Campeão: Centro de Documentação 25 de Abril apresenta exposição sobre SNS

O Centro de Documentação 25 de Abril, criado no âmbito da Reitoria da Universidade de Coimbra, preparou uma exposição para assinalar o aniversário, celebrado hoje (15), da criação, em 1979, do Serviço Nacional de Saúde.

Trata-se de uma exposição documental, intitulada “A criação do Serviço Nacional de Saúde: 1974-1979 – A conquista de um direito” com grafismo de Zé Tavares, que inclui também um documentário inédito, e que irá estar patente ao público no Piso 3 do Colégio da Graça (Rua da Sofia) a partir do próximo dia 28 até 31 de Dezembro do presente ano.

No entanto, numa primeira fase, entre 15 e 28 de Setembro, e devido a algumas restrições de circulação que estão ainda em vigor por razões sanitárias, a exposição estará aberta apenas para aos trabalhadores do Colégio da Graça e do CES, Centro de Estudos Sociais.

O documentário, que tem cerca de 01h20 produzido pelo Cd25A, inclui testemunhos de Manuel Valente Alves, Carlos Leça da Veiga, Margarida Gil, Graça Patrício, Francisco George, Jorge Seabra e João Paulo de Almeida, participantes e testemunhas de algumas das mais emblemáticas iniciativas em prol da saúde comunitária nos anos de pós Abril de 1974.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) criado em 1979 com a publicação da Lei n.º 56/79, de 15 de Setembro, materializa uma das maiores conquistas da Revolução de Abril e do processo de transição democrática iniciado em 1974, tendo, no essencial, sido preservada ao longo destes já quase 48 anos de regime democrático. A presente exposição, baseada nas coleções existentes no Centro de Documentação 25 de Abril, procura traçar a genealogia do SNS ao analisar as iniciativas que o tornaram possível, desenvolvidas no setor durante o período que se segue imediatamente ao 25 de Abril.

Partindo de algumas imagens icónicas que refletem as condições de vida, de higiene e de saúde do Portugal “pluricontinental” do pré-25 de Abril, encontraram-se fontes documentais variadas que espelham a luta pela concretização das expectativas de bem-estar que, também na área da saúde, o novo regime político fez nascer na sociedade portuguesa. Essa luta tornou urgente a construção de um serviço público que cobrisse todo o território e mobilizou os militares do MFA, os movimentos sociais, os profissionais de saúde, bem como os partidos políticos.

Com esta exposição ilustra-se a diversidade de experiências surgidas no domínio da saúde durante o período revolucionário: a progressiva nacionalização dos hospitais particulares, o lançamento do Serviço Médico à Periferia, a ocupação de prédios para a instalação de Clínicas Populares, ou ainda a reorganização dos serviços de saúde como a criação das Comissões Integradoras de Serviços da Saúde Locais. Os movimentos sociais e populares tiveram um papel fundamental na reivindicação do “direito à saúde”, encontrando respostas na democratização do Estado. Estas iniciativas fundamentaram a progressiva construção do SNS, um caso de sucesso, como a gestão da situação associada à pandemia provou uma vez mais.