Coimbra  4 de Dezembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Caves da Bairrada apostam em vendas ‘online’ e entregas ao domicílio

9 de Abril 2020 Jornal Campeão: Caves da Bairrada apostam em vendas ‘online’ e entregas ao domicílio

A Rota da Bairrada aposta esta Páscoa na venda ‘online’ de vinhos, à semelhança dos produtores da região que fecharam o atendimento ao público, mas continuam a trabalhar, investindo nas vendas por Internet e entregas ao domicílio.

As duas lojas da Associação Rota da Bairrada foram encerradas temporariamente e os funcionários colocados em tele-trabalho devido à situação de emergência provocada pela propagação da covid-19.

A Rota, que agrupa 52 instituições da região bairradina, com destaque para os produtores de vinhos e autarquias, aumentou as suas vendas ‘online’, criando ao mesmo tempo um serviço de “take-away” de vinhos e produtos autóctones, com doces regionais.

“As coisas estão a correr bem, dentro do possível. Reforçámos muito as vendas ‘online’”, explica Jorge Sampaio, presidente da Associação e vice-presidente da Câmara de Anadia. “A Rota sempre registou vendas para todo o país e até para o estrangeiro, mas desde o início da crise as vendas têm crescido, sobretudo, dentro da própria Bairrada e restante região Centro”.

A maior parte dos grandes produtores da Bairrada, região com 6 500 hectares de vinhas, que lidera destacada a venda de espumantes em Portugal, optou por encerrar ao público, mantendo entre portas o engarrafamento de vinhos, a produção da próxima colheita e criando ou reforçando soluções de comércio electrónico.

São poucos os casos de ‘lay-off’ conhecidos entre as grandes caves (excepção feita à empresa Mata Fidalga), que optaram por manter a maior parte dos trabalhadores ou que negociaram a antecipação de férias com grupos de funcionários.

“Muitos produtores optaram por deslocalizar os trabalhadores para o campo, para tarefas relacionadas com a produção das novas colheitas”, refere Pedro Soares, presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada, que tem registados 2 400 produtores de vinhos.

Pedro Soares não esconde a preocupação com o futuro do sector, dizendo que se não houver uma luz ao fundo do túnel até ao final do primeiro semestre de 2020 os produtores enfrentarão uma dura crise.

Jorge Soares está sobretudo apreensivo com a maneira como a restauração e comercialização de vinhos vai reagir quando a situação voltar a uma relativa normalidade. Alerta também para o desaparecimento de plataformas internacionais de escoamento e promoção de produtos.