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Carrosséis e Manuel Machado de candeias às avessas

12 de Dezembro 2016 Jornal Campeão: Carrosséis e Manuel Machado de candeias às avessas

O líder da APED – Associação Portuguesa de Empresas de Diversão pediu, hoje, a demissão do presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, acusando-o de promover um boicote à presença de carrosséis na Feira Popular, em Santa Clara.

“Trata-se de um acto de coacção e chantagem, que se torna ainda mais grave pelo facto de ele [Manuel Machado] ser também presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP)”, disse à Agência Lusa Luís Paulo Fernandes.

De acordo com a versão do líder da APED, o boicote à contratação de carrosséis e outras diversões itinerantes para aquelas festas, que terão lugar durante o mês de Julho, foi-lhe comunicado pelo presidente da Junta de Freguesia de Santa Clara, José Simão, que lhe garantiu ter recebido orientações nesse sentido por parte do chefe de gabinete de Manuel Machado na autarquia.

“Manuel Machado não gostou da manifestação que os empresários de diversões itinerantes realizaram em Coimbra, no sábado, e por isso mandou o seu chefe de gabinete ligar ao presidente da Junta de Freguesia a proibir os carrosséis”, argumenta Luís Paulo Fernandes.

A versão do líder da APED é corroborada em parte por José Simão, que confirma ter recebido um telefonema de Nuno Mateus, chefe de gabinete de Manuel Machado (PS), no qual foi avisado que todas as diversões itinerantes passariam a ser alvo na área do concelho de “uma inspecção apertada” dos serviços municipais de protecção civil.

“Foi-me dito que quem não reunir condições desanda de Coimbra. Interpretei essa informação como um gesto de retaliação de Manuel Machado por causa da manifestação de sábado, até porque a fiscalização dos carrosséis está atribuída por lei à ASAE”, refere o social-democrata José Simão.

O autarca de Santa Clara disse à Agência Lusa que vai pedir instruções por escrito a Manuel Machado, uma vez que a inscrição nas festas arranca em Janeiro.

“Quero saber se isto é a sério ou se não passa de uma crise de nervos do Senhor Presidente”, conclui.

Já o líder da APED conta que o “boicote aos carrosséis” lhe foi comunicado poucos minutos depois de ter sido divulgado um ofício que enviou à ANMP, no qual aconselha os empresários de diversões itinerantes a não aceitarem contratos para feiras e romarias durante o primeiro trimestre de 2017.

Esta medida, que surge com mais um passo na luta que a APED trava desde 2011 contra a subida de seis para 23 por cento do IVA cobrado às diversões itinerantes, ameaça prejudicar fortemente a Feira de Março (arranque a 25 de Março), em Aveiro, concelho liderado por Ribau Esteves, vice-presidente de Manuel Machado na ANMP.

No ofício enviado à ANMP, Luís Paulo Fernandes avisa que os empresários de diversões itinerantes só marcarão presença em eventos em que os municípios aceitem fazer um desconto de 17 por cento nas taxas a cobrar, precisamente a diferença entre os seis por cento de IVA que vigorava em 2011 e os 23 por cento cobrados actualmente.

No sábado, na sequência da manifestação realizada em Coimbra, Luís Paulo Fernandes conseguiu chegar à fala por breves momentos com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o primeiro-ministro, António Costa.

“Recebemos palavras de compreensão por parte dos dois. Manuel Machado é o único que nunca quis ouvir a nossa posição”, queixa-se o líder da APED, que acusa ainda o autarca socialista de Coimbra de perseguição.

A Lusa contactou a Câmara de Coimbra, mas até às 17h30 não tinha sido possível obter uma reacção.