Coimbra  19 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Carro caiu à água no Cabedelo mas bombeiros tiveram dificuldades de acesso

20 de Julho 2020 Jornal Campeão: Carro caiu à água no Cabedelo mas bombeiros tiveram dificuldades de acesso

Uma viatura que pretendia retirar do Mondego uma embarcação no Cabedelo, na Figueira da Foz, acabou, esta tarde, por cair ao rio e o socorro teve dificuldades em chegar ao local, segundo disseram uma testemunha e fontes dos bombeiros.

O alerta para a queda de um furgão ao rio, acidente que não provocou feridos, foi dado às 18h20, numa altura em que a saída de veículos da praia do Cabedelo se processava com extrema dificuldade, com paragens frequentes na única via de acesso e os meios das duas corporações de bombeiros que queriam aceder ao rio estiveram parados no trânsito, disse uma testemunha no local.

“Os bombeiros não conseguiam descer a rua que dá acesso à rampa [do rio] porque havia carros parados em sentido contrário. Teve de ser a GNR [a Unidade de Controle Costeiro, localizada nas imediações] a vir ajudar a regular o trânsito para os bombeiros poderem passar”, disse à agência Lusa Eurico Gonçalves, surfista e dono de uma escola de surf no local.

Também Jody Rato, comandante dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz, questionado pela Lusa, confirmou as dificuldades de acesso: “Estiveram uns minutos à espera parados por causa do trânsito, não conseguiam passar”, referiu.

Já Jorge Piedade, segundo comandante da corporação de Bombeiros Sapadores, afirmou não dispor de informação sobre as dificuldades de acesso dos seus operacionais, mas admitiu como “provável” que os meios dos bombeiros “tenham apanhado o fluxo de trânsito de volta [dos banhistas que tentavam sair da praia, por uma via de dois sentidos com carros estacionados].

“Admito que possa ter acontecido, o Cabedelo estava cheio e com pouco estacionamento”, referiu.

O surfista Eurico Gonçalves precisou que a praia do Cabedelo, na zona onde decorre uma obra de requalificação urbana, concentrou hoje vários milhares de banhistas e “muitos carros por todo o lado”, um número que viaturas que estimou “em mais de 2 000” e o trânsito “praticamente parado durante mais de duas horas”.

“Mais uma vez se prova que a obra do Cabedelo devia ter uma via de emergência só para bombeiros e emergência médica e não tem”, lamentou Eurico Gonçalves.

O surfista indicou, por outro lado, que os primeiros meios a chegar foram uma moto e uma ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), ainda que o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra não inclua estes meios no dispositivo presente.

O incidente de hoje deu-se quando um furgão que tentava retirar uma moto de água do rio Mondego deslizou para o rio, na maré baixa, através de uma rampa de acesso que servia um antigo estaleiro, abandonada há vários anos, com muito lodo acumulado.

“Já sabíamos de antemão que não havia ninguém dentro da viatura e só tivemos de a retirar”, explicou o segundo comandante Jorge Piedade.

Mais do que a função para a qual foi concebida, a rampa transforma-se diariamente em parque de estacionamento eventual, “sem que as pessoas se apercebam do perigo das viaturas poderem escorregar para o rio”, avisou Eurico Gonçalves, adiantando ser a segunda situação que acontece em duas semanas.

O furgão, que ficou com água “até perto do tejadilho” (o condutor saiu pelos seus próprios meios), acabaria por ser retirado do rio com recurso a um guincho de reboque dos bombeiros.

Eurico Gonçalves notou, a esse propósito, que o acesso ao rio na própria rampa, só foi possível porque o condutor colocou a moto de água “com a maré cheia” e estacionou o furgão à entrada da rampa, “para poder depois aceder quando fosse retirar a moto”.

“Se assim não fosse, não ia conseguir lá chegar, porque alguém lhe ocupava o lugar. E os bombeiros também só conseguiram trabalhar porque entraram pela abertura [no estacionamento] que o carro que deslizou para o rio deixou”, ilustrou.

Segundo o CDOS de Coimbra, no local estiveram, além das duas corporações de bombeiros da Figueira da Foz, com oito operacionais e duas viaturas, uma embarcação do Instituto de Socorros a Náufragos e meios da Polícia Marítima.

Os operacionais dos bombeiros acabaram por sair do local através de um portão que dá acesso à lota e porto de pesca da Figueira da Foz, aberto para o efeito pela Polícia Marítima.