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Cantanhede: Solução para efluentes será anunciada em Janeiro

13 de Dezembro 2018

A Câmara de Cantanhede revelou, hoje, ter recebido do Governo a garantia de que será encontrada, até ao final de Janeiro de 2019, uma solução para as descargas de efluentes na Tocha, provocadas por sobrecarga do sistema.

“Até ao final do próximo mês de Janeiro haverá uma decisão sobre a solução a adoptar para diminuir o volume dos efluentes canalizados para o ‘Interceptor Sul’ da Águas do Centro Litoral (AdCL), nas Cochadas, freguesia da Tocha, de modo a acabar com a sobrecarga de caudais e eliminar definitivamente a necessidade de realização de descargas do colector”, anunciou a autarquia liderada por Helena Teodósio.

A garantia foi dada pelo secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, durante uma reunião em Cantanhede, em que participaram os membros do Executivo municipal, o presidente da Assembleia Municipal, João Moura, o presidente do Conselho de Administração da AdCL, Nelson Geada, e presidentes de juntas do concelho.

O secretário de Estado terá adiantado que estão nesta altura a ser avaliadas três hipóteses, duas das quais passam pela construção de uma ETAR com tratamento terciário no concelho de Cantanhede.

Será para aí que serão enviados os caudais produzidos numa parte do território servido pela rede ligada ao interceptor sul, “que se manterá a drenar um volume consideravelmente inferior de águas residuais, eliminando assim a necessidade das descargas que têm vindo a ocorrer na vala da Vela e em áreas adjacentes”.

Os locais que estão a ser equacionados para a construção da ETAR são o lugar de Pisão, na Freguesia de S. Caetano, no limite do concelho, ou, em alternativa, as Cochadas, na freguesia da Tocha.

A terceira possibilidade que está a ser avaliada tem localização prevista para o concelho de Mira, cujos cursos de água e explorações agrícolas têm sido os mais afectados pelas descargas.

“Qualquer das soluções será tecnologicamente avançada e garante maior segurança do ponto de vista ambiental”, afirmou o secretário de Estado, citado pela autarquia, sublinhando que “o resultado do tratamento terciário são águas que podem ser utilizados para rega e outros fins, até para a criação de planos de água em áreas de lazer, existindo vários bons exemplos disso no país”.

Os planos do Governo devem, no entanto, encontrar oposição no vizinho concelho de Mira. Os autarcas de Mira já transmitiram ao Governo que não aceitam que o sistema hídrico do concelho seja usado para resolver os problemas de tratamento de efluentes do vizinho concelho de Cantanhede, foi hoje anunciado.

O presidente da Câmara Municipal de Mira, vereadores, deputados municipais e executivos das quatro juntas de freguesia eleitos pelo PSD, PS e MAR (independentes) reuniram também na quarta-feira com o secretário de Estado do Ambiente, em Mira, para discutir soluções para o problema de sobrecarga do sistema de tratamento de efluentes.

“Face às propostas apresentadas, houve total unanimidade entre os autarcas de todos os quadrantes políticos, deixando bem claro ao senhor secretário Estado que Mira não aceitará nenhuma solução que não passe pelo tratamento e rejeição dos efluentes de Cantanhede no próprio concelho de Cantanhede não utilizando, em nenhum caso, o sistema hídrico de Mira”, garante uma nota divulgada hoje pela autarquia presidida por Raul Almeida.

O autarca garante que “o Município de Mira está disposto a lançar mãos de todos os meios para impedir esta situação”. E lembra que aderiu ao sistema intermunicipal de tratamento de efluentes em 1997. A adesão de Cantanhede ocorreu em 2009, com aprovação de todos os accionistas.

Já da parte da presidente da Câmara de Cantanhede não há “reservas a qualquer das soluções previstas”.

Na origem da necessidade de construir uma nova ETAR está a ocorrência ao longo dos últimos anos de sucessivas descargas de efluentes, sem o devido tratamento, na Estação Elevatória das Cochadas (EECT4), situada na freguesia da Tocha (Cantanhede), propriedade da empresa Águas do Centro Litoral (AdCL), que acabam por afectar o concelho vizinho.

Uma das empresas mais afectadas por estas descargas é a Moinhos do Arraial, situada em Casal de São Tomé (Mira). O proprietário da empresa de cultivo de agrião, Rogério Guímaro, tem acusado repetidamente a AdCL de efectuar descargas poluentes “através de um tubo de grandes dimensões” que faz ligação à ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) das Cochadas, situada no limite da Tocha (concelho de Cantanhede), a montante da sua exploração agrícola.

O caso ganhou dimensão nacional e diversos partidos com assento parlamentar fizeram recomendações ao Governo para que resolva a situação.

 

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