Coimbra  19 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Cantanhede discutiu soluções para os serviços de saúde no Município

16 de Setembro 2020 Jornal Campeão: Cantanhede discutiu soluções para os serviços de saúde no Município

Helena Teodósio, presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, reuniu esta quarta-feira (15) com José Luís Biscaia Pinto, o novo director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) – Baixo Mondego, com quem discutiu algumas soluções possíveis para que sejam “rapidamente ultrapassados os constrangimentos e as dificuldades com que os serviços de saúde do concelho se debatem actualmente”.

A reunião decorreu nos Paços do Município, também com a participação de Célia Simões, vereadora com o pelouro da Saúde, e Almerinda Rodrigues, presidente do Conselho Clínico e de Saúde do ACeS – Baixo Mondego, e surgiu na sequência de uma outra – realizada por videoconferência em 10 de Setembro –, com Marta Temido, ministra da Saúde, na qual a líder do executivo camarário cantanhedense manifestou disponibilidade da autarquia para apoiar o ministério a implementar medidas que permitam resolver a crise que se vive no sector em Cantanhede.

Sobre esta questão, a autarca referiu que “se tudo correr como o previsto, a Câmara Municipal vai ter de assumir competências no campo da saúde e obviamente que não pode aceitá-las com as graves lacunas que estão a afectar os serviços, quer ao nível dos recursos humanos, quer quanto a instalações, equipamentos e meios complementares de diagnóstico, quer sobretudo no que diz respeito à resposta às necessidades, por manifesta insuficiência de meios e de organização”.

Na conversa que teve com o responsável pela coordenação da actividade dos Centros de Saúde do Baixo Mondego, Helena Teodósio voltou a criticar o fecho da Consulta Aberta assegurada pelos médicos do Centro de Saúde nas instalações do Hospital de Arcebispo João Crisóstomo.

“Esta é uma situação insustentável e que pode e deve ser resolvida com a criação de uma urgência básica no hospital, de modo a assegurar a cobertura de um território muito vasto e responder adequadamente a população de cerca de 60 000 pessoas, considerando os Municípios de Cantanhede e Mira, além de franjas de outros vizinhos. Mas se não puder ser a urgência básica, ao menos que nos devolvam a Consulta Aberta nos termos em que estava a funcionar das 08h00 às 24h00, conforme estabelece o protocolo celebrado entre a Câmara Municipal e o Ministério da Saúde em 2007”, sublinhou Helena Teodósio, reiterando a sua inquietação por “a ARS não ter assinado o protocolo relativo ao funcionamento dos Postos de Enfermagem que a Câmara Municipal está a financiar em núcleos populacionais com maiores dificuldades no acesso às extensões de Saúde e por não ter sido dada ainda luz verde à criação de mais três”.

Por seu lado, José Luís Biscaia Pinto afirmou que há questões que “só podem ser resolvidas no quadro das competências da Administração Regional de Saúde” e manifestou-se “empenhado em encontrar soluções que permitam ultrapassar as dificuldades relativas a matérias que estão no âmbito das suas responsabilidades e atribuições”. Nesse sentido, o novo director executivo do ACeS – Baixo Mondego preconiza “a criação de um centro de diagnóstico integrado com o Hospital de Cantanhede, de modo a facilitar o acesso dos utentes aos meios complementares de diagnóstico nesta unidade hospitalar”.

Da carta de missão do ACeS constam como objectivos estratégicos a “qualificação do acesso e da gestão integrada dos percursos de saúde/doença e dos cuidados aos cidadãos, através da construção da rede com hospitais, farmácias comunitárias, autarquias e outros parceiros, o desenvolvimento dos mecanismos de marcação prévia com dia e hora de toda a atividade presencial, apostando no atendimento telefónico dedicado com divulgação dos contactos telefónicos e e-mail institucional dos profissionais, a qualificação da discussão clínica tendo como prioridades a prevenção quaternária, a adequação da referenciação e da prescrição de medicamentos e meios complementares de diagnóstico”, bem como a “consensualização de um plano de acção conjunto de todas as unidades funcionais no contexto dos ‘Centro de Saúde’”.

São ainda desígnios do agrupamento “a horizontalização e integração dos programas de Saúde Pública, o planeamento, por todas as Unidades Funcionais, das respostas aos utentes mais vulneráveis e/ou com multimorbilidade”, e “a articulação da Unidade de Saúde Pública com a Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas e lares residenciais, e as Unidades de Cuidados na Comunidade”, entre outros aspectos.