Coimbra  1 de Março de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Câmara de Coimbra não vai dispensar Fórum Coimbra de mais estacionamento

12 de Janeiro 2021 Jornal Campeão: Câmara de Coimbra não vai dispensar Fórum Coimbra de mais estacionamento

A Câmara de Coimbra decidiu notificar um centro comercial da cidade da intenção de não o dispensar da criação de 24 lugares de estacionamento num eventual alargamento das instalações, em Santa Clara.

O Executivo liderado por Manuel Machado aprovou, ao final da tarde de ontem, por unanimidade, esta decisão no contexto de um pedido de informação prévia apresentado à autarquia pelo Fórum Coimbra, na margem esquerda do rio Mondego.

Sucessivamente, contra a possibilidade de a Câmara dispensar o promotor da construção de novos lugares, caso avancem as obras de ampliação do complexo comercial, começaram por se manifestar a CDU e o PSD, através dos vereadores Francisco Queirós e Paulo Leitão, respectivamente, e o movimento Somos Coimbra.

“Este caso mostra, mais uma vez, que o PS não tem qualquer visão de desenvolvimento harmónico do concelho de Coimbra, limitando-se a aprovar obras isoladas e descoordenadas, sem haver qualquer tentativa de equilibrar a oferta de grandes superfícies comerciais com a exigência de contrapartidas e outras iniciativas de apoio e garantia de viabilidade do comércio tradicional”, afirmou Ana Bastos, do Somos Coimbra.

Manuel Machado reagiu a esta intervenção, considerando que a vereadora, professora da Universidade de Coimbra, usou “uma linguagem inaceitável e de um oportunismo miserável”.

“O que nos é apresentado é uma informação técnica dos serviços”, salientou o autarca do PS, também presidente do Conselho Directivo da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Por sua vez, o vice-presidente do Executivo, Carlos Cidade, defendeu que “não é de aceitar esta dispensa de estacionamento”, o que levou José Manuel Silva, daquele movimento, a afirmar que o socialista “mudou de opinião”.

O líder do Somos Coimbra realçou que Carlos Cidade, presidente da Concelhia de Coimbra do PS, começou por concordar a dispensa da criação de 24, ao avalizar por escrito um parecer técnico, que não foi distribuído aos jornalistas presentes na sessão, no qual, alegadamente, os Serviços da autarquia admitem a referida dispensa dos 24 lugares para viaturas.

Também Paula Pêgo, eleita pelo PSD, mas actualmente com estatuto de independente, criticou o “impacto negativo” em termos urbanísticos e no chamado comércio tradicional de Coimbra.

“É necessário fazer audiência prévia da intenção de indeferir o processo”, disse Manuel Machado, após se ausentar algum tempo da reunião.

O presidente da Câmara anunciou que seria necessário “notificar o particular dessa intenção e ele que diga o que lhe aprouver”, tendo informado que “várias entidades já se pronunciaram” sobre a pretensão do Fórum Coimbra de ampliar as instalações e ser dispensado de criar novos lugares de estacionamento.

Entretanto, em comunicado, o movimento Cidadãos por Coimbra (CpC), que no anterior mandato autárquico teve um vereador do Executivo municipal, salientou que a proposta de ampliação do Fórum “em mais quatro mil metros quadrados (…) não está disponível para a generalidade dos cidadãos com todas as suas implicações, designadamente paisagísticas e de mobilidade urbana”.

O movimento insistiu “na urgência de o Município assumir a liderança da renovação de toda a frente ribeirinha”, nas duas margens do Mondego.

“A Câmara assumiu o compromisso de criar um fórum de informação e debate sobre todos os projectos, públicos e privados, com incidência naquela zona, vital para a regeneração de Coimbra”, recorda o CpC, rejeitando ainda a pretendida dispensa de lugares de estacionamento “no já sobredimensionado empreendimento”.