Coimbra  25 de Maio de 2022 | Director: Lino Vinhal

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Câmara de Coimbra aprova moção de apoio ao povo ucraniano, com abstenção do PCP

7 de Março 2022 Jornal Campeão: Câmara de Coimbra aprova moção de apoio ao povo ucraniano, com abstenção do PCP

A Câmara de Coimbra aprovou, esta segunda-feira, por maioria, com a abstenção do vereador da CDU (PCP), uma moção onde declara que “se empenhará em prestar todo o apoio possível ao povo ucraniano”.

“Numa flagrante violação da Carta das Nações Unidas e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Federação Russa invadiu um país democrático e independente, sem qualquer justificação, causando destruição e morte indiscriminada de pessoas inocentes numa dimensão inimaginável, revelando um chocante desprezo pelo Direito Internacional, pela Paz, pelo normal relacionamento entre povos e pela Vida” – lê-se na moção apresentada pelo presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva.

Todos os eleitos da coligação “Somos Coimbra” e do PS votaram a favor da posição do Município, com o vereador Francisco Queirós, da CDU, a abster-se, alegando não concordar com a totalidade do texto, mas afirmando que “o PCP condena veementemente a intervenção militar da Rússia na Ucrânia”, mas “não se pode esquecer que a situaçã começou em 2014, com um golpe de Estado apoiado pelos EUA”.

Na moção, sustentando que a situação “pode conduzir a Europa à terceira guerra mundial, de imprevisíveis consequências”, a Câmara Municipal de Coimbra entende “ter o dever de proclamar que é contra todas as formas de imperialismo e de quaisquer tentativas de impor a submissão de países independentes pela força das armas, pelo que exige a imediata retirada das forças armadas da Federação Russa, o país agressor, do território ucraniano, o país agredido, respeitando integralmente as fronteiras reconhecidas pela ONU”.

A Câmara Municipal de Coimbra verbera, igualmente, “a prisão arbitrária de milhares de pessoas que, no território russo, se manifestam contra a guerra na Ucrânia, demonstrando a ausência de democracia e liberdade na Federação Russa”.

“Embora compreendendo que o povo russo também é, em certa medida, uma vítima da ditadura feroz que o governa, a Câmara de Coimbra, num acto de profundo simbolismo e em linha com as sanções internacionais, decide suspender o acordo de geminação, ou acordo de paz e cooperação, com a cidade russa de Yaroslavl, que tinha sido assinado a 14 de Julho de 1984, e informar as respectivas autoridades municipais desta decisão bem como das razões que lhe estão subjacentes”, refere-se na posição aprovada.

“Com efeito, a agressão russa à Ucrânia, por ordem de Putin, é incompatível com o acordo então estabelecido, que preconizava que as partes contratantes apoiavam sempre todas as iniciativas e ações que servissem ao desanuviamento político e militar e à consolidação da paz, dentro do espírito dos princípios da coexistência pacífica, princípios esses que agora foram violentamente violados”, acrescenta-se.

A Câmara de Coimbra declara, ainda, que “se empenhará em prestar todo o apoio possível ao povo ucraniano e que desenvolverá as necessárias iniciativas para receber com humanismo e amizade os ucranianos que pretendam refugiar-se no concelho, criando as imprescindíveis condições para que aqueles que eventualmente aqui queiram iniciar uma nova vida o possam fazer com toda a dignidade”.

Finalmente, a Câmara de Coimbra apela “ao máximo respeito pelas pessoas de nacionalidade e/ou ascendência russa que vivem entre nós, na medida em que não têm quaisquer responsabilidades nos trágicos acontecimentos da guerra na Ucrânia, e afirma que Coimbra continuará a receber com fraternidade todos os cidadãos russos que aqui queiram viver em paz”.