Coimbra  16 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Cadeia de Coimbra: Recluso condenado pela morte de outro

18 de Fevereiro 2019

Um recluso acusado de ter matado outro, em 2016, no Estabelecimento Prisional de Coimbra, foi condenado, hoje, a 13 anos e meio de cadeia.

No começo da audiência de julgamento, o arguido declarou estar inocente e “de consciência limpa”.

O indivíduo, que partilhou uma cela com a vítima, entre Outubro de 2015 e meados de Janeiro de 2016, foi acusado, pelo Ministério Público, de asfixiar outro presidiário.

Segundo o presidente de um colectivo de juízes, o Tribunal não tem “quaisquer dúvidas” de que a vítima foi morta pelo seu companheiro de cela, durante a noite de 12 para 13 de Janeiro de 2016.

“Nunca tirei a vida” a quem quer que seja, insistiu o arguido, vincando que o homem falecido era sua testemunha abonatória no âmbito de outro processo.

A acusação deduzida pelo Ministério Público, cujo teor foi consultado pela Agência Lusa, possui apenas duas páginas, onde não é avançado qualquer motivo para cometimento do homicídio.

O arguido indicou ao colectivo de juízes que, quando acordou, por volta das 09h00, foi urinar e reparou que o companheiro estava deitado.

Os guardas prisionais, que acabaram por ir ver como estava o companheiro de cela do arguido, limitaram-se a constatar o óbito.

Durante o julgamento, um guarda explicou que são feitas três contagens por dia e que a vítima se encontrava sempre deitada (de cabeça virada para dentro da cela).

“Ninguém é obrigado a levantar-se da cama, durante a contagem”, assinalou a testemunha, citada pela Lusa, acrescentando que, por ocasião da última chamada do dia, achou estranho o recluso permanecer na mesma posição.

Durante a sessão, também houve indicação de o arguido não ser tido como violento e que a vítima era consumidora de droga.

Uma enfermeira que prestava serviço no Estabelecimento Prisional de Coimbra referiu que mistura de medicamentos poderia causar problemas respiratórios.

Na fase de alegações, a advogada de defesa, Ana Pereira Coutinho, considerou todo o processo “muito estranho”.

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