Coimbra  22 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Bombeiros Voluntários de Côja celebram 57 anos com novo comandante

24 de Janeiro 2020 Jornal Campeão: Bombeiros Voluntários de Côja celebram 57 anos com novo comandante

Depois de, no ano passado, o aniversário ter sido marcado pelas eleições e tomada de posse dos órgãos sociais, que elegeram o novo presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Côja (AHBVC), em Arganil; este ano o ponto alto das comemorações do 57.º aniversário será a entrada e a imposição de insígnias ao novo comandante, Hugo Correia.

Embora seja celebrado com mais fulgor de cinco em cinco anos, o aniversário da AHBVC terá, este ano, alguns momentos mais especiais, celebrando-se, “excepcionalmente” com outra vida. Deve-se, sobretudo, ao término da Comissão de Pedro Joaquim como comandante, cedendo o lugar ao seu até aqui adjunto.

As comemorações realizam-se já amanhã (25), com as cerimónias habituais. O dia tem início com o hastear de bandeiras no quartel, às 09h00; segue-se a formatura da corporação, pelas 14h30, e meia hora depois recebe-se as entidades convidadas com Guarda de Honra à Alta Entidade presente, que se prevê serem o presidente da Câmara de Arganil, Luís Paulo Costa, e o comandante distrital da Protecção Civil, Carlos Tavares.

Pelas 15h30 realiza-se, então, a sessão solene de tomada de posse e Imposição das Insígnias ao novo comandante e, uma hora mais tarde, será a vez de benzer três novas ambulâncias que entrarão ao serviço do corpo de bombeiros.

As celebrações deste 57.º aniversário terminam, depois, pelas 17h00, com um lanche-convívio no quartel-sede.

“Quisemos celebrar este aniversário de uma forma mais oficial, enaltecendo a dedicação, a história e o muito sacrifício de todos, os que agora estão e os nossos antecedentes”, explicou Paulo Silva, presidente da AHBVC, acrescentando que outra das prioridades é sempre a de “preservar a memória dos membros fundadores e dos companheiros que, literalmente, deram a sua vida pelos outros”.

Próximos cinco anos serão de continuidade e melhorias

Nos próximos cinco anos, os Bombeiros Voluntários de Côja serão comandados por Hugo Correia, até aqui adjunto de comando de Pedro Joaquim.

“Este foi um desafio que me propuseram e que aceitei, pelo que o objectivo é tentar fazer o melhor por esta instituição e para engrandecer o seu nome”, afirmou ao “Campeão”, Hugo Correia, dias antes de ser empossado como novo comandante.

Para além disso, o percurso a fazer durante o seu Comando é o de “dar continuidade ao que tem vindo a ser feito, com mais formações para o pessoal, manter a diversidade deste corpo activo e tentar recrutar mais elementos junto das escolas”, revelou.

Actualmente, a corporação é composta por cerca de 60 elementos, apoiados por perto de 55 viaturas, que estão, em grande parte, “adequadas às necessidades”. Há, no entanto, a intenção de, a curto prazo, substituir duas viaturas mais antigas: uma para desencarceramento com a vertente de incêndios urbanos e industriais e uma outra de auto-comando.

Neste aniversário, a corporação irá, contudo, receber duas novas ambulâncias, que estavam em falta na Associação: uma de transporte de doentes e outra de transporte de doentes múltiplos (com maca e acesso a cadeira de rodas), ambas adquiridas com muitos contributos de sócios, beneméritos e com fundos da própria Associação. Irá, ainda, ser benzida uma outra, de transporte de doentes urgente, que está ao serviço na Associação desde o Verão.

“As ambulâncias eram extremamente necessárias porque fazemos muitos serviços de transporte para doentes que necessitam de fisioterapia, por exemplo”, realçou Hugo Correia, acrescentando que a área de intervenção dos Bombeiros de Côja (zona Norte) é “muito grande e com aldeias isoladas e de difícil acesso, além de população envelhecida e com bastantes dificuldades”.

Na ‘Escolinha de Bombeiros’ estão, entretanto, em recruta 18 potenciais bombeiros, mas o objectivo é aumentar este número. Para tal, o futuro comandante pretende apostar mais nas visitas às escolas do concelho, no sentido de angariar potenciais voluntários.

“Estamos com défice de voluntários mais novos e os bombeiros têm de ter um papel importante na educação das crianças”, revelou o ainda adjunto de comando.

O objectivo passará, sempre, por “fazer o melhor possível no socorro às populações, com disponibilidade da parte do corpo activo na sua missão de ajuda ao próximo”, notou.

Dando conta da situação da Associação, Paulo Silva refere que “é uma luta diária conseguir manter o equilíbrio entre a parte financeira e a parte operacional”, contudo, “foi sempre condição desta Direcção manter esse equilíbrio”.

Com 19 funcionários, são eles que “mantêm a operacionalidade ao nível dos serviços pré-hospitalar e de combate a incêndios porque os voluntários, não estando sempre, não têm essa capacidade”. Assim, realçou o presidente da AHBVC, é essencial conseguir-se responder “às necessidades operacionais sem colocar em causa a vertente financeira”.

Museu em homenagem aos bombeiros é desejo para 2020

A criação de um Museu em homenagem aos “soldados da paz” é um dos objectivos que a Direcção em vigor quer concretizar e ainda este ano.

O processo para a aquisição ou arrendamento do edifício (já sinalizado na vila de Côja) estão ainda a decorrer, pelo que Paulo Silva, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Côja (AHBVC), não quer adiantar.

O desejo foi expresso pelo presidente na última Assembleia-Geral, a 14 de Dezembro, afirmando, entretanto, ao “Campeão”, que a ideia é “começar dentro em breve as obras de melhoria do espaço e inaugurar o museu perto do Natal”.

O Museu do Bombeiro contará, essencialmente, com duas vertentes: uma primeira dedicada a uma exposição permanente da própria Associação de Côja, com o espólio que lhe pertence e que conta a sua história; e uma outra, mais tarde, a ser dedicada a exposições temporárias e temáticas, relacionadas com os bombeiros e o voluntariado, e que irá “beber” a associações congéneres.

De portas abertas ao público, as entradas serão gratuitas, contudo, o objectivo é que se possa “convidar os visitantes a comparticipar para as despesas do espaço” que, avançou Paulo Silva, “contará com uma pessoa que explique as exposições”.

Da parte das associações congéneres para que ali exponham o seu espólio, “a resposta tem sido muito positiva, não só de entidades do distrito como também de fora”, realçou.

Além de ser um local de “homenagem a todos os bombeiros, em especial aos que perderam a sua vida no combate a incêndios na nossa região”, o responsável considera que este espaço servirá para que “as pessoas se aproximem dos bombeiros, para que saibam como é o seu dia-a-dia, o que fazem e o que pretendem fazer”. Mas, também, “o objectivo final passa por, desta forma, se conseguirem angariar novos elementos para o corpo de bombeiros”.