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Bombeiros Penela: Não há falta de voluntários, mas de disponibilidade

18 de Setembro 2017

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Penela (AHBVP) celebra, amanhã (19), o seu 37.º aniversário. Como é hábito, não haverá festa porque a data não é marcante, contudo, a importância de mais um ano que passa e a missão da corporação não são esquecidos.

A Associação conta, actualmente, com 107 elementos, sete deles que entraram este ano provenientes da escola de bombeiros, e 32 viaturas, com a entrada em funcionamento de duas novas ambulâncias.

Ao contrário da maioria das corporações do país, em Penela não se sente falta de voluntários, até pelo contrário. A aproximação à população e às empresas do concelho leva ao interesse dos cidadãos pelos bombeiros, quer para se inscreverem como voluntários, quer para se fazerem sócios.

Esse interesse pode, depois, ser transformado numa inscrição na Escola de Bombeiros, que vai voltar a abrir já no próximo mês de Outubro e que decorre durante quase um ano, entre a componente teórica (com seis módulos) e a componente prática (um estágio durante seis meses).

Dos formandos que entram na Escola de Bombeiros ficam apenas cerca de 50 por cento para ingressar na corporação de Penela, um número significativo mas que “vai dando para repor os elementos que saem e, ao mesmo tempo, aumentar o corpo de bombeiros”, afirma António Lima, 2.º comandante da AHBVP.

O bombeiro adianta que, embora não sintam falta, “os voluntários são sempre necessários porque o problema não no voluntariado, embora não seja fácil porque carece de grande disponibilidade, mas sim, precisamente, nessa mesma disponibilidade”.

António Lima explica: “as pessoas voluntariam-se, entram no corpo de bombeiros, começam a fazer o seu serviço operacional, mas depois, ao longo do tempo, têm muito pouca disponibilidade”, adiantando o bombeiro que não sente “carência de voluntários mas sim da sua disponibilidade, porque o que antigamente se conseguia fazer com 50, hoje são necessários 100”.

Escola de Infantes original “na calha”

A vontade de formar os cidadãos já desde tenra idade e o interesse das crianças e jovens pela actividade de bombeiro levou a AHBVP a apostar numa Escola de Infantes e Cadetes, contudo, “o modelo que existe não satisfaz”, explica António Lima, pelo que a própria Associação se encontra a adaptar o modelo que se lecciona aos adultos para os jovens, transmitindo os conhecimentos “de uma forma mais aligeirada e muito bem estruturada”, refere.

Como este é um trabalho de fundo, a Escola já se encontra a aceitar inscrições mas ainda não funciona, esperando o 2.º comandante que possa abrir “no início do próximo ano”.

“É necessário começar a educar os jovens de uma forma diferente para o que vemos acontecer cada cada vez mais no mundo e que as pessoas não sabem o que fazer se se encontrarem em alguma situação do género. Estas são formações viradas para a cultura da segurança”, afirma, adiantando que se tratam de programas de quatro ou cinco anos, de forma a encaixar estas formações em todas as actividades que, por norma, os jovens já têm, complementando-as.

Ordenamento e limpeza do território são imprescindíveis

Com um Verão exigente como foi este último, em que “se exige um esforço enorme às pessoas” e que, em alguns casos “afectou bastante a vida de cada um, deixando muitos elementos e funcionários sem férias”, o voluntariado e a disponibilidade tornam-se questões fundamentais.

Segundo António Lima, “desde Junho que são poucos os dias em que está toda a gente no quartel, sem actividade” e, quando saem para algumas ocorrências mais difíceis podem “ser dias seguidos de combate, o que desgasta bastante”.

Chamados para o incêndio de Pedrógão Grande, que viria a entrar também em Penela, a corporação não sofreu danos de maior, contudo, António Lima destaca que “em termos de território não é bem assim e tem de começar a ser pensado de forma diferente”.

O bombeiro refere que “já ficava satisfeito se se fizessem as limpezas junto às estradas e à volta dos perímetros urbanos”, acreditando que esta acção “resolveria 40 ou 50 por cento do problema, porque é aí que existe a grande dificuldade”. “O problema é que, quando os incêndios são muito grandes, deixamos de combatê-los para passar a proteger as habitações e populações”, salienta.

A profissionalização da profissão é, também, uma solução proposta pelo 2.º comandante, já que “é muito difícil continuar a estar assentes em estruturas em que a maioria é tudo voluntário e, só desse factor, já acaba por depender muita coisa”.

“A nossa maior preocupação é corresponder ao apoio que a população nos dá todos os dias e é uma grande frustração quando entra um grande incêndio no concelho e não há possibilidades de chegar a todo o lado”, lamenta o bombeiro, acrescentando que, contudo, dentro das suas possibilidades, o corpo activo conseguem ir apoiando todas as actividades que se realizam no concelho ao longo do ano.

02 - Bombeiros Penela

 

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