Coimbra  24 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Bombeiros de Soure celebram 130 anos e aguardam apoios pós-Leslie

20 de Novembro 2020 Jornal Campeão: Bombeiros de Soure celebram 130 anos e aguardam apoios pós-Leslie

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Soure (AHBVS) celebrou, ontem (19), os seus 130 anos, uma data marcante, que está a ser comemorada com a contenção necessária por estes dias.

Embora o dia exacto seja a 19 de Novembro, as singelas celebrações só terão lugar no domingo (22) e a nível interno. A corporação vai proceder ao ritual do hastear das bandeiras e da romagem aos cemitérios “para homenagear quem já passou pela Associação”, seguindo-se uma pequena comemoração só com os elementos da AHBVS.

“Este aniversário é mais um marco para a Associação, tendo oportunidade de relembrar o passado e olhar para o futuro”, afirmou João Paulo Contente, comandante dos Bombeiros Voluntários de Soure, salientando que é com grande mágoa “que não se poderá abrir o quartel à população, como era a intenção”. “Gostávamos de ter cá toda a gente, mas não será possível, por isso esperamos que os sourenses compreendam”, ressalva João Paulo Contente.

A corporação, constituída por mais de uma centena de voluntários e funcionários, distribuídos entre o quartel sede, em Soure, e a secção da Granja do Ulmeiro, está focada e comprometida na sua missão de socorro, mesmo em tempos em que ela é muito mais difícil. Apoiado por uma frota que inclui viaturas de combate a incêndio e ambulâncias de transporte urgente e não urgente, o corpo activo tem o desejo, já há mais de um ano, de ver ser criada uma segunda Equipa de Intervenção Permanente (EPI), que ajude “a reforçar o socorro 24 horas por dia”.

A Associação tem já uma destas equipas, de cinco elementos, que é remunerada em partes iguais pelo Município de Soure e pela Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), e uma outra inteiramente financiada pela Câmara Municipal, mas que é apenas um complemento à primeira.

Outra das prioridades da Associação passa pela renovação da frota afecta à saúde, como o caso das ambulâncias de transporte de doentes não urgentes, esperando abrir um novo concurso, no início do próximo ano para aquisição de duas ambulâncias dessa categoria.

Quebra de receitas devido à pandemia ascende a 70 por cento

A Associação, que tem “esperado e desesperado” pelos apoios prometidos para colmatar os prejuízos causados pela tempestade “Leslie”, em Outubro de 2018, espera resolver essa questão a curto prazo.

“Ficámos sem telhado no quartel da secção da Granja do Ulmeiro, que continua à espera de um novo. Neste momento, e com a ajuda de um benfeitor, o telhado existe, mas é constituído apenas por algumas chapas, sendo necessário proceder às obras”, nota o comandante.

Para além disso, decorrente da falta de isolamento na cobertura, o edifício está com muita humidade e, como tal, as intervenções são prementes. Aquela secção foi, ainda em 2019, alvo de obras de beneficiação, mas apenas para criação de um parque de estacionamento coberto.

“O apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), fruto de uma candidatura e referente aos prejuízos da ‘Leslie’, ainda não está garantido mas acreditamos que até ao final do ano esse investimento possa chegar”, afirma o comandante.

A verba, de cerca de 50 000 euros, pode chegar, contudo, mais rapidamente através da Câmara Municipal, que na sua última reunião de Executivo (já neste mês de Novembro) aprovou um pacote de apoios a associações do concelho, onde está incluída a Associação dos Bombeiros Voluntários. Este apoio é uma verdadeira “lufada de ar fresco e permitirá também ajudar a recuperar parte das despesas com fornecedores”, nota o bombeiro.

Devido à pandemia de covid-19, a Associação perdeu mais de metade das habituais receitas, geradas pelos serviços de transporte de doentes que, durante os piores meses, abrandaram consideravelmente. “A nossa quebra atinge os 60 a 70 por cento”, revela João Paulo Contente, admitindo, contudo, que nos últimos meses “foram retomadas as consultas médicas e alguns transportes, mas não chegará aos 100 por cento”.

No que diz respeito ao corpo activo, a prioridade será sempre o da sua formação e investimento em mais e melhores equipamentos e, embora, os elementos não sejam os suficientes, “face ao dia-a-dia e às urgências que vão surgindo, tem-se conseguido cumprir a missão”, sublinha o comandante, notando que “tem sido cada vez mais difícil angariar novos voluntários, nomeadamente, junto dos mais jovens”. João Paulo Contente espera, ainda assim, abrir uma nova Escola de Bombeiros no início do próximo ano.