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Bombeiros de Góis: Corporação sem baixas depois de um “Verão atípico”

14 de Setembro 2017

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Góis (AHBVG) celebra, hoje, mais um aniversário, o 61.º. Sem grandes manifestações de festa, até porque as celebrações ainda não foram, sequer pensadas, devido ao período difícil que esta e outras corporações de Norte a Sul do país passaram este Verão.

Os 79 elementos, apoiados por 20 viaturas, e os membros da Associação vão, por isso, adiar os festejos para uma altura mais tardia do calendário, focando-se agora em cumprir a sua missão.

O “Verão atípico”, segundo o comandante Miguel Pratas, levou a corporação a situações difíceis, em que o método utilizado foi o de salvaguardar as populações e os seus bens em primeiro lugar ao invés de combater o incêndio.

Aquando do fogo em Góis, alguns meios humanos e materiais estavam em Pedrógão Grande a ajudar no combate às chamas, tendo ficado bloqueados a meio caminho, o que levou à falta de meios no concelho do qual são originários.

“A nossa prioridade foi a defesa das populações e a floresta ficou para segundo plano”, explica o comandante, afirmando que: “por não conseguirmos controlar a floresta, estamos sempre a deixar as populações a correrem riscos”. “Caso o incêndio tivesse sido controlado na floresta, sem atingir povoações, é evidente que o impacto seria menor”, garante.

Contudo, Miguel Pratas salienta que “mesmo com todos os elementos e veículos, continuam a ser poucos voluntários e meios para este concelho que é muito extenso, tem muita floresta e exige muito empenho por parte dos bombeiros e das viaturas”.

A angariação de voluntários é, como no resto do país, um problema, até porque “os jovens têm hoje muitas distracções, colaboram com várias instituições e não é fácil conciliar todas elas”, nota o comandante.

Este ano a corporação conseguiu mais nove elementos, fruto das escolas de bombeiros que vão abrindo anualmente e o balanço “tem sido positivo, com um crescimento fraquinho mas é à medida da disponibilidade do concelho”.

A frota, que “devia ser renovada e aumentada” é uma das carências do corpo activo, seja ao nível das viaturas de combate a incêndio como de ambulâncias, “que é o mais rentável durante todo o ano”, ou de veículos de apoio a outro tipo de ocorrências, como é o caso dos desencarceramentos.

Actualmente, os Bombeiros de Góis têm uma viatura inoperacional, que teve um problema mecânico durante um fogo e a sua reparação está dependente da ordem da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC). Contudo, no âmbito de uma candidatura ao Portugal 2020, a Associação foi contemplada, já este ano, com uma nova viatura de combate a incêndio. O projecto já foi adjudicado, esperando apenas a sua construção e posterior entrega, que Miguel Pratas espera que se concretize “até final deste ano”.

Evitar incêndios é trabalho, também, dos proprietários florestais

Miguel Pratas considera que “a maior parte dos incêndios mais graves eram evitados se houvesse um ordenamento responsável e em condições da floresta portuguesa”.

Apesar de saber que esta afirmação é “muito vaga e relativa”, o comandante garante que tem mesmo de ser concretizada e a prova disso foi este Verão que consumiu quantidades nunca antes vistas de floresta.

“Cabe aos técnicos decidir como é feito o ordenamento, mas apostar no ordenamento, na prevenção das ocorrências é essencial, para depois conseguirmos fazer combates mais seguros e eficientes”, esclarece.

Além disso, o comandante afirma que a prevenção não cabe apenas aos bombeiros. Também as populações e, em particular, “cada proprietário florestal deve saber qual o seu papel e agir de forma preventiva”, conclui.

Ajudar não custa e ainda tem benefícios

O trabalho meritório dos bombeiros, nem sempre reconhecido como devia e só lembrado durante o Verão pelos portugueses, reflecte-se nas comunidades que servem durante todo o ano. Seja no transporte de doentes (urgentes e não urgentes), no auxílio às mais diversas situações relacionadas com os cidadãos e, claro, em caso de fogos (florestais e urbanos).

A maioria das corporações do país trabalham de forma voluntária e “por amor à camisola”, nem sempre com as condições ideais. Assim, os cidadãos são convidados a juntarem-se a esta causa, apoiando, neste caso, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Góis (AHBVG) tornando-se sócio e, ao mesmo tempo, ter vantagens com isso.

Para tal é apenas necessário deslocar-se à secretaria, no quartel sede, e preencher um formulário com os dados pessoais, adicionando uma fotografia de rosto actualizada. O valor anual mínimo para se ser um sócio activo é de 12 euros, o que equivale a um euro por mês.

As vantagens de ser sócio advêm de protocolos de cooperação assinados entre a AHBVG e várias empresas e instituições do concelho, no sentido de proporcionar descontos e outros benefícios a bombeiros, familiares e sócios. É o caso da gasolineira Alves Bandeira, da mediadora de seguros “A Serrana” e da Escola de Condução Arganilense.

 

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