Coimbra  28 de Fevereiro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Bombeiros de Côja assinalam 58 anos na esperança de concretizar investimentos

24 de Janeiro 2021 Jornal Campeão: Bombeiros de Côja assinalam 58 anos na esperança de concretizar investimentos

Regina Calinas tomou posse como 2.ª comandante dos Voluntários de Côja, tornando-se na primeira mulher a desempenhar funções no quadro de comando

 

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Côja (AHBVC), em Arganil, celebram na próxima segunda-feira (25), o seu 58.º aniversário. Mesmo sem pandemia, a passagem de mais um ano já não seria comemorado com toda a “pompa e circunstância” por não se tratar de um número “redondo”, contudo, a Direcção e a corporação não deixará de assinalar mais uma primavera, ainda que internamente.

Segundo Paulo Silva, presidente da Direcção da Associação, este aniversário será, assim, comemorado apenas com quem estiver ao serviço, com momentos simbólicos como o hastear da bandeira, o toque da sirene e a recordação, “não só de quem esteve na fundação da AHBVC, mas também de quem morreu em serviço”, afirmou o responsável, sublinhando que é importante, nestes momentos, “recordar a história da Associação e esse é igualmente um dos motivos pelos quais se deve avançar com o Museu do Bombeiro”.

Um dos momentos altos desde aniversário é o facto de, pela primeira vez na sua história, a Associação ter como 2.ª comandante uma mulher. Regina Caldas tomou posse em Dezembro e é, assim, a primeira bombeira a desempenhar funções no quadro de comando dos Voluntários de Côja. “É um momento muito importante e histórico para os bombeiros de Côja”, notou Paulo Silva.

Investimentos de 2020 relegados para 2021 devido à pandemia

A covid-19 trouxe um ano de 2020 atípico, difícil e quase tudo foi adiado para este ano de 2021. Durante os longos meses de paragem no ano passado, com inúmeros serviços cancelados, só “a muito custo foi possível a Associação pagar aos seus trabalhadores”, tendo adiado por completo grande parte dos investimentos previstos.

A AHBVC tinha (e tem) em carteira uma série de obras prioritárias e essenciais ao bom funcionamento do quartel e da corporação. Há, por isso, diversos investimentos que estão em cima da mesa para avançar imediatamente, como seja uma sala/câmara de desinfecção de veículos (adaptando uma já existente e criar-lhe condições de estanquicidade com sistema por ultravioletas), uma obra que no seu global (já com a aquisição de equipamento de protecção) terá o custo de cerca de 22 000 euros. Seguem-se, depois, as obras no quartel, para ampliação de camaratas, balneários e vestiários, bem como do parque de estacionamento para a frota da Associação.

Na lista de investimentos da Direcção estão, igualmente, as obras no quartel da 5.ª Secção em Pomares que, até ao momento se encontra num espaço pertencente à Junta de Freguesia mas que, a curto prazo, será “ultimada a cedência do local aos bombeiros”. Nessa altura será possível intervir, essencialmente, na cobertura e nas instalações sanitárias, com um custo total de perto de 30 000 euros.

“O mais importante e a nossa prioridade são os nossos bombeiros e também os doentes que todos os dias transportamos”, reconhece Paulo Silva.

O presidente da Associação dos Bombeiros realça, ainda, o investimento que está previsto para o aeródromo de Côja, que desde 01 de Novembro é gerido pela AHBVC, e que será transformado no COLIT – BVCôja (Centro Operacional e Logístico de Instrução e Treino dos Bombeiros Voluntários de Côja).

Uma vez que este é o único aeródromo do concelho e dos concelhos limítrofes, a ideia é servir estes territórios, podendo ser utilizado por aeronaves de combate a incêndio, mas também pela aviação civil e evacuação de emergência do INEM. Contudo, este será um investimento mais a longo prazo, já que a Associação não tem capacidade financeira para tal. Assim, nesta fase, as obras a realizar (no valor de 24 000 euros) serão apenas para o tornar operacional.

Por fim, dos projectos futuros realça-se, ainda, o Museu do Bombeiro, um desejo de há muito e que, uma vez mais, teve de ser adiado. A esperança do presidente é que ainda este ano se avance com a aquisição do espaço, embora a remodelação final “só com muita dificuldade avançará em 2021”.

Com todos estes investimentos em carteira, Paulo Silva espera que dentro em breve possam abrir os Avisos para os apoios comunitários.

O ano de 2020 registou uma quebra significativa nas receitas e um aumento de despesas, num saldo negativo que ascende aos 100 000 euros. A Associação tem contado com algum apoio, nomeadamente da Câmara de Arganil, com uma ajuda pecuniária de cerca de 20 000 euros, mas “é uma gota de água nesta quebra gigante”.

Corporação unida na missão de ajuda ao próximo

Com cerca de 69 elementos e 34 viaturas ao seu dispor, esta corporação tem-se mostrado unida e empenhada na sua missão de socorrer e ajudar os seus concidadãos.

Embora os investimentos previstos pela Associação sejam essenciais, os voluntários vão cumprindo o seu dever com os meios que têm e que fazem por ser suficientes. De momento, o mais prioritário seria a aquisição de duas ambulâncias, uma de socorro e outra de transporte múltiplo. Havia perspectiva de poderem ser contemplados já este ano com esses presentes, mas tal ainda não foi possível.

O presidente Paulo Silva, que termina o seu mandato no final deste ano, assume que “nem tudo será possível concretizar mas ficam os alicerces lançados para o futuro”.