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Bombeiros de Côja assinalam 54.º aniversário

22 de Janeiro 2017 Jornal Campeão: Bombeiros de Côja assinalam 54.º aniversário

Há 54 anos que a população anda “de mãos dadas” com os Bombeiros Voluntários de Coja. Uma relação que tem resistido ao tempo e à desertificação de um concelho, que ao longo dos anos, se tornou bastante envelhecido.

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coja (AHBVC) celebra, na próxima quarta-feira (25), o seu 54.º aniversário e, embora sem grandes festejos, sente o apoio incondicional da população que serve.

Seja através do aumento significativo dos associados, no ano passado, seja através da solidariedade nas campanhas de angariação de água/alimentos, o apoio constante dos habitantes de Coja e de Arganil tem sido fundamental para que o corpo activo se sinta acompanhado e motivado.

“Temos uma boa relação com a população e estamos muito ligados a ela, até porque esta é uma zona mais isolada e rural e nós prestamos um serviço de muito apoio às pessoas idosas”, refere Paulo Tavares, comandante dos Bombeiros Voluntários.

Uma opinião corroborada pelo presidente da Direcção, Jorge Silva, que salienta que “o aumento de associados [que rondam os 2 000] tem a ver com o facto de alguns terem retornado, talvez por terem voltado a acreditar na missão dos bombeiros e no esforço que estes fazem pelas populações”.

O “acompanhamento mais chegado” e a “palavra de aconchego” aos muitos idosos que habitam sozinhos no concelho são dados pelos 65 elementos que actualmente existem na corporação, que perdeu 13 bombeiros desde o ano passado.

“A falta de voluntários continua a ser uma preocupação e, infelizmente, é uma tendência que tem vindo a agravar-se”, lamenta o comandante, acrescentando que este problema “tem a ver, essencialmente, com a situação do concelho, que tem poucos empregos, o que leva os mais novos a saírem para procurar melhores condições, tornando a população muito envelhecida”. Contudo, Paulo Tavares garante que o serviço diário é assegurado pelos elementos existentes.

A corporação dispõe, actualmente, de 31 viaturas, com destaque para as ambulâncias de socorro, de transporte de doentes e veículos de combate a incêndios.

No final do ano passado, a Associação conseguiu substituir um carro de combate a incêndio, comprando apenas o chassi e aproveitando o tanque que ainda estava em boas condições.

A par da falta de voluntários, e depois de obras de remodelação no quartel e da renovação gradual das viaturas de combate a incêndio, ao longo dos últimos anos, o foco vira-se, agora, para a renovação e substituição das 14 ambulâncias.

Na AHBVC trabalham 15 pessoas e, embora faltem funcionários, o orçamento não permite colocar mais ninguém, o que condiciona não só o trabalho da Associação como outras actividades que poderiam ser realizadas, como é o caso da Escolinha de Bombeiros.

O objectivo de ter condições para exercer a actividade de protecção e limpeza de florestas não esmoreceu desde o ano passado e, nesse sentido, a Direcção (eleita para novo mandato no início de 2016) está apostada em rever os estatutos para, dessa forma, tornar a actividade legal para a corporação.

“Nos últimos 10,15 anos temos estado em constante evolução, até porque nos exigem mais qualidade no serviço que prestamos, não só na área da saúde como na dos incêndios. Cada vez se exige mais aos voluntários e, na minha óptica, isso é uma das principais dificuldades para captar interessados”, nota Paulo Tavares, assegurando que “o desafio é grande mas enquanto houver gente com força e com vontade, como aquela que existe nos Bombeiros de Coja, vamos continuar a enfrentá-lo”.

Conhecer o concelho e aproximar as pessoas

Além da revisão dos estatutos para poder exercer a actividade de protecção e limpeza de florestas, uma vez que a área coberta pelos Bombeiros de Coja, é bastante vasta e com grande área florestal, a Associação tem, já em marcha, o levantamento dos estrangeiros que habitam no concelho.

“Já referenciámos mais de 100 e estamos a fazer um levantamento para sabermos qual a sua localização exacta, para que quando formos chamados sabermos quem são e onde moram”, explica o presidente Jorge Silva. Esta é, também, uma forma de ajudar a contornar a barreira da língua e a falta de acessos aos locais onde, geralmente, escolhem viver.

“Desta forma, com as coordenadas certas dos locais onde residem, em caso de emergência o GPS leva-nos ao sítio correcto”, refere o responsável.

A “luta” do presidente da AHBVC contra a passividade das entidades competentes, em relação à tradução e implementação das normas europeias sobre a actividade de ambulância (vulgo transporte de doentes), não está esquecida e é uma meta que Jorge Silva gostaria de ver posta em vigor, esperando que tal seja concretizado pelo Governo actual.