Coimbra  22 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Bluepharma adquiriu instalações da Poceram e prevê duplicar produção

12 de Janeiro 2020 Jornal Campeão: Bluepharma adquiriu instalações da Poceram e prevê duplicar produção

A farmacêutica Bluepharma comprou, no último dia de 2019, as instalações da antiga Poceram, em Cernache. Um investimento para o futuro, prevendo a empresa que, nos próximos cinco anos, duplique a sua produção.

A crescer significativamente, a Bluepharma adquiriu o espaço pertencente à antiga Poceram, que tem uma área total de 6,5 hectares, com 35 000 metros de área coberta.

A empresa pretende ali criar o “Parque Bluepharma”, permitindo assim o seu crescimento para poder explorar novas áreas, mantendo como base o medicamento. “É um espaço muito generoso para se fazer o próximo crescimento, concentrando aí grande parte das nossas unidades”, referiu à agência Lusa, Paulo Barradas Rebelo, presidente da farmacêutica.

Com as instalações originais em São Martinho do Bispo, a farmacêutica adquiriu, igualmente, no início de 2019, a antiga sede da Plural, em Eiras.

A expansão das actuais instalações no Cimo de Fala é, também, pretensão da Administração, que admite avançar com as obras em breve e o mesmo deverá acontecer nas instalações em Eiras, cuja conclusão prevê-se para o 2021, altura do 20.º aniversário da empresa.

Já as intervenções nas instalações da Poceram deverão iniciar-se no final deste ano, estando prevista a transferência de algumas áreas da sede da Bluepharma para aquele espaço.

Este crescimento físico permitirá à Bluepharma duplicar a produção de medicamentos genéricos nos próximos cinco anos.

“Estamos com uma produção anual de 28 milhões de embalagens de medicamentos e dentro de quatro ou cinco anos estaremos acima dos 50 milhões”, afirmou Paulo Barradas Rebelo.

O presidente da farmacêutica salienta que se trata de um projecto para 10 anos, com o objectivo de “diversificar as formas farmacêuticas” que a empresa produz.

“Temos estado a investir muito na inovação, nessas formas farmacêuticas e, portanto, os injectáveis serão o exemplo do que hoje não produzimos e que queremos vir a produzir”, sublinhou.

Segundo Barradas Rebelo, a empresa tem “vivido toda a vida com grandes constrangimentos de espaço para crescer, e, portanto, pensa-se que na terceira década da Bluepharma não vai ser pela falta de espaço que” não crescerá.

A farmacêutica fechou o exercício de 2019 com um volume de facturação acima dos 50 milhões de euros, sendo o melhor ano dos 18 da sua existência, apesar de ter sido “talvez o ano mais difícil” da Bluepharma.

“Em termos regulamentares, a situação é cada vez mais complexa, com custos de produção cada vez maiores e, portanto, chegámos ao final do primeiro semestre com uma improdutividade muito grande, mercê das novas obrigações que temos de cumprir com a Europa e com o Estado português”, frisou o presidente da Bluepharma.

Por outro lado, acrescenta Paulo Barradas Rebelo, “começou-se a sentir alguma escassez na aquisição de princípios activos, num mundo em evolução, no qual a Ásia e nomeadamente a China e a Índia estão a consumir cada vez mais bens de consumo”, e baixa de preço dos medicamentos genéricos.

No entanto, Paulo Barradas Rebelo considera que “foi um ano em que se consolidou a estratégia, em termos de investigação e desenvolvimento e em que existe um portefólio maior e muitos novos medicamentos licenciados no mercado internacional, pelo que se conseguiu fechar o ano com solidez financeira e com confiança para continuar a investir”.

A farmacêutica de Coimbra exporta 90 por cento da sua produção para mais de 40 territórios, entre os mais exigentes mercados do mundo, em particular os Estados Unidos da América, países mais desenvolvidos da Europa, Canadá e Austrália, estando a ultimar a sua entrada em novos países “com um nível de desenvolvimento menor” da América Latina, África e Médio Oriente.

“A inovação para nós é a pedra de toque do nosso projecto e inovamos permanentemente para internacionalizar cada vez mais, sempre com uma pedra na qualidade do que fazemos e nas parcerias que estabelecemos, porque nós percebemos que são empresas inovadoras que têm capacidade de entrar em mercados exigentes”, sublinhou.

A Bluepharma iniciou actividade em 2001, com 58 trabalhadores, tornando-se num grupo de empresas que reúne agora 700 funcionários.