Coimbra  6 de Julho de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Bispo de Coimbra cria Comissão para proteger menores e adultos vulneráveis

29 de Maio 2020 Jornal Campeão: Bispo de Coimbra cria Comissão para proteger menores e adultos vulneráveis

Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, criou a Comissão para a Protecção de Menores e Adultos Vulneráveis (CPMAV), que já teve uma primeira reunião, disse hoje à agência Lusa o vigário geral da Diocese.

Pedro Miranda, juiz do Tribunal Eclesiástico, adiantou que os seis membros da nova estrutura diocesana, criada através de um decreto de Virgílio Antunes, participaram num primeiro encontro, na semana passada, “para apresentar a comissão” e conhecerem os outros elementos.

Segundo o documento episcopal, cabe à CPMAV “promover acções de sensibilização dirigidas a pessoas e instituições de modo a criar-se uma cultura de prevenção do abuso sexual”, entre outros objectivos, no âmbito da Diocese de Coimbra.

Fazem parte da Comissão para a Protecção de Menores e Adultos Vulneráveis a advogada e professora universitária Alexandra Vilela, a advogada Inês Maurício, o padre jesuíta Miguel Gonçalves Ferreira, o padre e pároco da Lousã Orlando Martins, a pedopsiquiatra Sara Pedroso e a psicóloga clínica Marta Neves, coordenadora do órgão.

“Em comunhão com a Igreja Universal, a Diocese de Coimbra está totalmente empenhada em erradicar os abusos de menores e de adultos vulneráveis, pois constituem um crime e um gravíssimo atentado contra a pessoa humana, que atraiçoa a confiança dos fiéis”, afirma Virgílio Antunes no decreto, emitido no sábado (23), coincidindo com a apresentação da comissão, a cujos trabalhos o bispo presidiu.

A comissão coordenada por Marta Neves fica incumbida de “acolher, escutar e encaminhar as denúncias de abuso sexual e de autoridade cometido em âmbito eclesiástico sobre menores e outras pessoas vulneráveis”, devendo ainda “acompanhar todas as pessoas envolvidas, tanto no processo de abuso como na sua denúncia, de modo especial os que se encontram na situação de vítimas, e proporcionar-lhes apoio psicológico, social, espiritual, jurídico e pastoral”.

Com esta iniciativa, seguindo as directrizes da Conferência Episcopal Portuguesa, Virgílio Antunes responde às determinações do papa Francisco para serem criadas, em todas as dioceses, “um ou mais sistemas estáveis e facilmente acessíveis ao público” para prevenir o abuso sexual e de autoridade cometido em ambiente eclesiástico sobre menores e outras pessoas vulneráveis.

Com um mandato de três anos susceptível de renovação, a CPMAV tem sede na Cúria Diocesana, na rua do Brasil, em Coimbra.

Cultos religiosos regressam amanhã mas com regras adaptadas à pandemia

Várias confissões religiosas preparam a retoma das cerimónias presenciais em Portugal, a partir de amanhã (30), com novas regras para os fiéis e adaptações dos cultos, após uma paragem superior a dois meses por causa da pandemia de covid-19.

O distanciamento entre os participantes e o uso de materiais de protecção vão ser os sinais mais visíveis nos templos e lugares de culto, sendo comuns a todas as celebrações religiosas, segundo as medidas de protecção estipuladas pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Cada confissão tem ainda de adaptar os seus rituais específicos às novas regras, com o objectivo de tentar fornecer a maior segurança possível a todos os envolvidos nas cerimónias.

Contactado pela agência Lusa, o padre Manuel Barbosa, porta-voz e secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), saudou o regresso das cerimónias religiosas, ainda que em moldes diferentes, apontando para a longa lista de orientações já divulgada pela entidade sobre a celebração do culto público católico no contexto da pandemia covid-19.

“Ao mesmo tempo que se retoma a participação comunitária na liturgia, há que garantir a protecção contra a infecção”, lê-se no website oficial da CEP, que “convida todos os fiéis a fazerem por si próprios todos os possíveis para limitar esta pandemia”.

Com um total de 79 recomendações, foi o 27.º ponto da lista da CEP, que determina a proibição de comunhão na boca, que levou um grupo de mais de 500 católicos, entre leigos e sacerdotes, a apelar, na quarta-feira (27), aos bispos para que revoguem esta norma, algo que, por enquanto, está fora de questão, segundo avançou à Lusa no mesmo dia o porta-voz da CEP.