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Biotecnológica pretende criar unidade de produção de vacinas em Cantanhede

10 de Março 2021 Jornal Campeão: Biotecnológica pretende criar unidade de produção de vacinas em Cantanhede

A empresa biotecnológica Immunethep, sediada em Cantanhede, quer avançar com a criação de uma unidade de produção de vacinas no concelho, que poderia dar resposta num contexto de pandemia.

A Câmara Municipal de Cantanhede aprovou um compromisso com a Immunethep, que está a desenvolver uma vacina contra a covid-19, no sentido de ceder à empresa biotecnológica “terreno ou instalações junto ao Biocant Park, em condições a acordar entre as partes”, para permitir a expansão da empresa e também para assegurar “as condições necessárias para ser criada uma unidade de produção de vacinas”, referiu a autarquia, em comunicado.

Segundo a nota da Câmara Municipal de Cantanhede, o Município vai também sensibilizar o Governo e outras entidades públicas para a Immunethep conseguir apoio financeiro ao investimento que está a fazer, nomeadamente na ajuda à criação da vacina, já que a empresa precisa de cerca de 20 milhões de euros para a fase de ensaios clínicos.

Para a criação da unidade industrial de produção de vacinas está projectado um investimento de cerca de 80 milhões de euros, ao longo de três anos, e a criação de até 300 postos de trabalho qualificados, salientou o município.

Bruno Santos, director Executivo da Immunethep, referiu que a criação de uma unidade de produção de vacinas é uma intenção da empresa, mas que, por agora, ainda nada está fechado ou concretizado.

Para essa unidade, a biotecnológica está à procura de investidores, para além de uma eventual parceria com uma empresa canadiana especializada com quem já têm um acordo para a produção da vacina contra a covid-19 que estão a criar.

“Não há nenhuma unidade de produção de vacinas deste género, no país. Esta seria uma unidade de grande dimensão, que permitiria produzir não só a nossa vacina, mas futuras vacinas, com uma capacidade de produzir 50 milhões de doses, num ano”, salientou o diretor Executivo em declarações à Lusa.

De acordo com Bruno Santos, a instalação de uma unidade deste tipo em Portugal permitia que “o país estivesse mais preparado para futuras pandemias”, para além de poder passar a ter a capacidade de produzir outras vacinas, como a da gripe.

A vacina desenvolvida pela empresa sediada no Biocant apresenta “algumas características diferenciadoras”.

Ao contrário das vacinas que identificam apenas uma parte importante do vírus, uma proteína, a da Immunethep usa “o vírus como um todo”, o que a torna mais abrangente perante variantes do novo coronavírus.

Por outro lado, como a vacina será administrada por inalação, permite uma “maior protecção dos pulmões, que é onde entra o vírus”, e uma maior facilidade na sua distribuição e administração, por não exigir “nem temperaturas negativas nem um profissional de saúde que saiba administrar por via intramuscular”, aclarou.

A vacina contra a covid-19 que está a ser desenvolvida pela empresa Immunethep poderá estar pronta para entrar no mercado em 2022.